Ao descobrir que o seu maior desafio seriam as relações humanas aquele homem passou a pensar muito sobre o assunto. O exercício da autocrítica ensinado por seu pai passou a fazer parte do seu universo interno insistentemente. O seu conceito de amor já não o estava fazendo bem, algo teria que ser mudado.
A sensibilidade é a sabedoria do coração, assim como o conhecimento é a inteligência do pensamento, e agora aquele homem precisava encontrar um ponto de equilíbrio entre esses dois rios que correm dentro dele. A razão em demasia pode tornar as pessoas egoístas e a emoção exagerada deixa-nos frágeis e carentes demais. O desafio agora era usar a razão onde ela deva ser usada(resolver problemas, planejar a vida e fazer as escolhas conscientes e sem impulso) e permitir que o coração tenha sua voz sempre ativa.
A sensibilidade daquele homem havia deixado seu coração exposto, a sua forma de amar o deixava dependente emocionalmente do amor. Embora ele soubesse através de sua razão que ninguém completa ninguém, tinha pavor de ficar sozinho. Não sozinho fisicamente, mas com o coração vazio, sem ninguém para amar e alguém para amá-lo.
Aquele homem como projeto de ser humano poderia sucumbir assim dessa maneira, então precisava tomar um novo rumo. O primeiro passo seria liberar o perdão a si mesmo e que sua individualidade não avançasse sobre o calor de seu afeto. Perdoar a si mesmo é reconhecer seus erros e acreditar na capacidade de corrigi-los. A individualidade não é um instrumento do egoísmo, ela deve ser a nossa aptidão para vivermos sozinhos, de cuidar do nosso corpo e alma dignamente. E tudo isso aliado ao reconhecimento que o outro não pode ser submetido, dominado e obrigado a fazer e a ser como queremos.
Aquele homem estava descobrindo uma nova maneira de amar, sem diminuir o calor e a poesia desse seu ato mais sublime, seu grau de franqueza consigo mesmo ao ser transportado pra cá dá uma medida disso. Afinal ele não é automático, precisa estar reciclando o tempo todo para manter o frescor de sua alma.
Agora ele precisava derrubar as velhas pontes e construir novas, para que as relações afetivas futuras, e até mesmo as antigas, assumam um novo significado em seu caminho. A frase do psicoterapeuta Flavio Gikovate agora era como uma onda se atirando contra os pilares de seu cais “Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.”
Embora ele tenha sido sempre muito compreensivo, é muito critico, talvez isso tenha sido um dos pontos de atrito que desgastaram os amores tão bonitos que surgiram em sua vida, e aquele homem tem buscado desesperadamente paz de espírito e não tem a encontrado. Não é fácil ser ele porque como está acordando e não dormindo como a maioria das pessoas está sujeito a errar muito mais do que eles que repousam nos braços de Morpheu.
Eu tinha três caminhos a seguir, o primeiro era acreditar nas palavras do que as pessoas me diziam, nos conselhos, nas idéias, nas soluções que elas acreditavam ser adequadas a minha vida.O segundo era como a canção do Legião, provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém.E o terceiro era só acreditar naquilo que sou capaz de escolher por mim mesmo. (Existem amores por aí que se movimentam como o amor, que sorriem, dançam e se oferecem como se fossem amor.)O primeiro caminho nos aproxima das pessoas, o segundo e o terceiro nos afasta.(Tem amores com os mesmos sabores que o amor, cheiram, suam, e falam como se fossem amor). O primeiro caminho nos exige escutar, ser menos teimosos, acreditar no que as pessoas nos dizem e que elas são confiáveis para compartilhar conosco nossos segredos, que elas não vão usar as nossas dúvidas e as nossas mazelas para se sentirem compensadas com as próprias desgraças.Há um processo inconsciente nos seres humanos que embora pareça cruel, não é.Usamos os problemas dos outros para justificar os nossos e assim nos sentirmos melhores.(Aquele amor faz juras como se fosse mesmo um amor) O segundo caminho, provar pra todo mundo que não precisa provar nada pra ninguém, é a estrada do orgulho, é quando queremos mostrar ao mundo nossa importância, tem seu lado bom porque fortalece nossa autoestima e autoconfiança.Mas tem o lado ruim , a soberba reinando dentro da nossa barriga como se fosse um rei.(Um amor tão parecido com amor, tinha o mesmo gosto, inspirava os mesmos pactos, me fazia sonhar, acreditar como se fosse mesmo um amor) O terceiro caminho, que é aquele que nos leva a só acreditar naquilo que somos capazes de escolher por nós mesmos, é o caminho da convicção, da certeza, da intuição, uma voz nos diz, a nossa voz interior, e nós escutamos e executamos de acordo com aquilo que acreditamos.Escolhi esse caminho pra seguir(Era um amor igualzinho ao amor, brilhava como se fosse mesmo um amor, mas no fim era só uma imitação de amor, não era amor de verdade).
As mudanças que acontecem na nossa vida na maioria das vezes ocorrem de repente e a mais radical transformação pela qual passamos é a de vivo para morto, num dia estamos lá vivinhos da Silva noutro podemos bater as botas sem o menor aviso pegando todo mundo de surpresa, inclusive nós mesmos que não queríamos ter morrido num domingo, ou enquanto íamos para o trabalho ou antes dos 15 anos de nossa filha ou das infinitas maneiras que podemos morrer. Ninguém quer ser mortal, mas somos e passamos a maior parte do tempo ignorando isso porque se você pensar a toda hora não vive, fica dominado pelo medo e essa paralisia atinge até a alma. O medo de morrer pode anular e arruinar uma existência inteira.
E quando menos esperamos está lá, a oportunidade, a chance passando bem na nossa frente, com a boca escancarada e cheia de dentes. A nossa coragem é testada, o desafio tira o chão dos nossos pés e nos atira no ar: “Voe, se não tiver asas, crie”. Não adianta dizer para aquela chance “ainda não estou pronto” ela não espera, se vai e nunca mais olha para trás.
Uma mudança, quando consciente, não é algo que você faz, é algo que você permite.E é tão difícil mudar porque fugir ou fingir é muito mais fácil que mudar.
“Soergo meu passado e meu futuro E digo à boca do Tempo que os devore. E degustando o êxito do Agora A cada instante me vejo renascendo” (Hilda Hilst)
De tudo que pra mim tem sido mais querido, queria, juro que queria, que muito neste mundo onde vivo fosse invertido. É da natureza de um sensível ser inconformado, não mal agradecido ou ranzinza, mas sempre questionador e buscador, a eterna luta por uma vida menos ordinária.
Eu esse homo sapiens sapiens desvendando os caminhos siderais, eu esse ser humano falho que tem tentado abrir uma trilha pra dentro de si mesmo.Quero repartir o pranto e o riso, sonho não ser quando sou.E sendo, me falto.
Eu ás vezes me zango com Deus, mas um anjo, o meu anjo, está sempre aqui no ombro, no meu ombro, dizendo que Deus não é particular, mas coletivo, pra algo acontecer pra mim tem que também acontecer em outros lugares e em para outras pessoas.O universo é todo interligado.
Eu me esforço pra reter e pra ser permanecido, como o mar guarda na água o sal, eu quero ser mais puro extraindo de mim o que pode ser mal. Afogado em mim da alvorada ao crepúsculo, vivo. Como se tivesse apenas dois caminhos, devorar ou ser devorado, como se um anjo caído quisesse me enganar, “destrua si mesmo”, ele grita, ele tenta me enganar, mas um anjo, o meu anjo, sussurra no meu ouvido direito, “Dentro de uma geleira azul ela vive e quando você chegar, será para ela verão só de tocar no teu nome. E ela e você estarão libertos”.
Certa vez uma pessoa próxima, muito próxima, chegou para mim e disse: “Não deve ser fácil ser você”. Acho que ela se referia a minha sensibilidade, aos meus ideais, a minha forma de amar, de sonhar e de viver. Cada um é pra si o seu maior desafio, e assim também deveria ser com Michael Jackson, o caminhante da lua, que com sua dança que parecia ser de outro planeta, viveu glórias e desprestígios do tamanho do seu sucesso. A infância conturbada, talvez a falta de um bom amigo, se ele tivesse tido um amigo de verdade como o “Ben” daquela canção dos Jackson Five, que foi feita para um rato que aparecia a noite na casa do Michael criança, ela não estivesse morto.Talvez ele não tivesse ficado tão louco e suas excentricidades jamais ultrapassariam a qualidade da sua dança e da sua musica.
Hoje olho para a juventude dos anos 2000, os emocore, com suas roupas, suas tatuagens e pearcings, sua musica, suas condutas e sua rebeldia, na minha época também éramos diferentes nessa mesma fase da vida, gostávamos do “break” (uma dança acrobática e que usava o corpo como instrumento popularizada pelos negros americanos) e de Michael Jackson. Nos anos 80 a sexualidade mais livre ainda era novidade e a liberdade do jovem era poder ficar até mais tarde fora de casa. Íamos a “bailinhos” e nossas pequenas transgressões naquela época hoje seriam consideradas por essa juventude brincadeiras de crianças num jardim de infância.
Jamais renegaria que um dia eu fui fã de Michael Jackson, mesmo ele sendo uma construção da indústria do entretenimento americana, mesmo ele ter se destruído, mesmo ele ter enlouquecido, eu fui ao Show dele em São Paulo, eu comprei muitos dos seus discos e dos seus Cd´s, eu dancei e hoje estou muito triste por sua morte.
Sua canção mais querida pra mim sempre foi “Man in the mirror”, uma reflexão sobre o nosso reflexo, sobre olhar para si e ver os outros...não é fácil ser nós mesmos e por isso algumas vezes somos nossos bem feitores e outras nossos próprios algozes...vai com Deus caminhante da Lua, nos teus passos de dança eu agora sou um homem que sonha voltar a ser criança...
“Apesar de muito nos ter sido tirado, muito nos resta. E apesar de não sermos mais aquela força que em tempos antigos moveu terra e céu, aquilo que somos, somos. Uma idêntica têmpera de corações heróicos, enfraquecida pelo tempo e o destino, mas forte na vontade de lutar, de procurar, de encontrar, e de não se render.”
(Ulisses, de Alfred Lord Tennyson )
Hoje completo 35 anos. Olho no calendário é uma garota sorri no mês de junho sentada na praia. Digo pra mim que um dia serei aquela areia da praia esperando pelo mar, as páginas continuando a virar, eu riscarei cada dia e rirei de tudo que perdi e que ganhei. Janeiro, fevereiro, março, abril, maio, eu estou vivo, Junho, julho, agosto, setembro, outubro, eu estou vivo, Novembro, dezembro, sim, o inverno inteiro eu estarei vivo e vivendo.
Sempre em meus aniversários faço balanços, os ativos, os passivos, a depreciação acumulada, as obrigações a longo prazo, o capital social da minha vida, os amigos, e o meu saldo ainda permanece credor.
São raros os momentos como esse, quando somos lembrando pelo nosso nascimento, pela nossa existência alegrar as pessoas e de que elas se lembram de nós além de pensar em si mesmas.Esse são salva vidas de luz que usaremos nos dias de não, nas noites escuras que podem vir.
A natureza incompreensível da vida nos faz todos iguais, não importa quantos anos, temos todos o mesmo destino, partir daqui pra outro lugar. “O tempo corre contra mim”? E se ele correr eu vou na direção contrária, quero ficar ainda melhor.E se você um dia me ouvir chorar, pode ter certeza que depois do pranto estarei sempre usando o ar que tenho pra respirar para voltar a sorrir.
Bom dia a todos, desperta da sua realidade e vem pro meu mundo de sonhos, hoje é um dia especial pra mim.
Com o dia do meu aniversário chegando vou praticar um ritual sagrado que criei.O exercício de desejar pra mim coisas boas. Alguém que um dia me amou muito me disse “você no dia do seu aniversário brilha tal fogueira de São João”.Nunca contei, mas essa pessoa que me amou, a pastora de nuvens, já não vive mais aqui, partiu pra outro mundo caminhando pela estrada do arco-íris.Ela morreu de uma terrível doença quatro anos atrás, precisava dizer isso pra que esse circulo terminasse e coisas novas viessem até mim.
“São tantos caminhos para seguir” tomo a estrada que me leva ao sol ou a que me leva a lua? É bom saber que qualquer uma que eu escolher vai me levar onde eu tenho que chegar.
Nenhum ser imenso é simples, e sua vida, sendo ela tal qual um rio, é cheia de meandros como os rios caudalosos que seguem rumo ao oceano. Um rio que corre manso na superfície mais cheio de correntezas em seu interior, que reflete o sol na sua superfície e que sente ele esquentando suas águas.Que espelha a lua e que testemunha o tempo que transforma a suas margens.
Eu vivendo esse ciclo sem fim tenho em meu curso grandes quedas d água e elas me dão medo, mas sei que é inútil temer aquilo que jamais poderei evitar. Um rio nunca deixa de fluir.
E para não secar preciso de outros rios se misturando a mim, afluentes que engrossam e renovam meu fluxo, o encontro com outras nascente fará a mim e o outros rios mais fortes.
E um dia voltaremos de novo ao mesmo lugar de onde viemos, em forma de chuva ou de lágrimas.
P.S.: Existe fotos da pastora de nuvens neste blog que vão se apagar com o tempo, eu não leio o que escrevi, deixo as palavras serem carregadas pelo vento, elas sempre sabem o caminho que devem seguir e no fundo de que rio e de qual coração devem se sedimentar.
É da minha época, as meninas gritando por causa daquele grupo de Porto Rico chamado “Os Menudos”, naqueles dias era coisa de menino odiá-los.Agora que eu cresci descobri que uma das música deles que mais fizeram sucesso ganhou um significado muito, mas muito especial.Nada como um dia depois do outro, e mais, nada melhor do que viver a vida para expandir a consciência, os instintos, as sensações, os sentimentos, a inteligência, a sensibilidade e o coração.A gente fica mais velho sim, mas fica mais experiente porque vai aprendendo os atalhos tin tin por tin tin.
A canção que falo é “Não se reprima”, uma melodia simples e agitada feita para agradar as adolescentes daqueles confusos anos 80, passava uma mensagem de euforia, de que a vida é uma festa e que devemos relaxar e deixar acontecer.E “Os menudos” lá rebolando e enlouquecendo as garotas, hoje elas que eram fãs devem rir de si mesmas, não pelo ridículo, mas por se alegrar que eram ingênuas e ainda assim muito, muito felizes com seus sonhos de menina.
Na atual versão dos anos 2000 ela é cantada por Tatiana Parra, a canção começa acústica ao estilo bossa nova e depois ganha beats eletrônicos. Trata-se, na verdade, de um comercial da Batavo cuja campanha leva o nome de “Pense Light”. Mas se despindo desse conceito mercantilista, o de querer vender danones pra soltar o intestino de quem o tem preso por causa do stress ou de coisas que o valham, a música tem uma mensagem bem positiva por causa da sua letra “pra cima”.
Serve bem para pessoas como eu que dramatizam as situações da vida, ás vezes é melhor, bem melhor relaxar , deixar acontecer e seguir o fluxo, “Não controle, não domine, não modere”, quem esquenta demais a cabeça sofre muito, o negócio é que você “Deixe que a mente se relaxe e faça o que mandar o coração”.
Não da vida já temos sempre, um sim é lucro, quando fico feliz eu danço, na sala sozinho, embora eu ainda tenha vergonha, joguei fora meus sentimentos de culpa pela janela e posso dizer de carteirinha.Hoje sou uma pessoa mais leve.
Ah! E nunca precisei de nada, de danone e nem de nenhum laxante, porque meu intestino já nasceu solto!
Não Se Reprima (Menudo)
Canta, dança, sem parar/Sobe, desce, como quiser/Sonha, vive, como eu Pula, grita, ô ô ô ô ô ô.../Não segure muito teus instintos/Porque isso não é natural/Sai do sério, fala Alto, dá um grito forte,/Quando queira evitar/É saudável, relaxante, recupera /E faz bem pra cabeça/Por isso /canta, dança, grita ô ô ô ô ô ô ô
Vá em frente, entra numa boa /Porque a vida é uma festa/Não controle, não domine, não modere/Tudo isso faz muito mal/Deixe que a mente se relaxe/Faça o que mandar o coração/Por isso /canta, dança, grita ô ô ô ô ô ô ô/Não se reprima/Não se reprima/Não se reprima /Pode gritar/Dança, canta, sobe, desce, vive, corre e pula como eu!/Canta, dança, sem parar /Sobe, desce, como quiser/Sonha, vive, como eu /Pula, grita, ô ô ô ô/Chega de fugir, de se esconder /E de deixar a vida pra depois/Não persiste mais, se o mundo gira,/O tempo corre, nada vai te esperar/Entra de cabeça nos seus sonhos /Só assim você vai ser feliz/Por isso canta, dança, grita, ô ô ô ô ô ô
"O olho é a lâmpada do corpo. Se teu olho é bom, todo o teu corpo se encherá de luz. Mas se ele é mau, todo teu corpo se encherá de escuridão. Se a luz que há em ti está apagada, imensa é a escuridão." Jesus Cristo
Estas são palavras de um Rei, as minhas vão ser bem mais simples, pois é a expressão do que há dentro de mim.O que Jesus disse serve pra todo mundo.Talvez o que eu diga sirva pra alguém que me lê. O meu desejo é ter “filhos feitos de amor”, eu sonho “com um encontro” e a minha realidade é que “brilha a luz dentro de mim”.
Se fosse possível tirar uma chapa da minha alma ou fazer uma ressonância magnética da minha essência o que eles encontrariam? Não sei, sei apenas o que penso que sei, que sinto. Mas não é o suficiente, tem coisas que a gente sabe e nem sabe que sabe, são os processos inconscientes ocultos.
Queria estar ocupado em ser, queria não ter que perder, tempo, saúde, paciência, beleza, enfim quase tudo, para ter que ter.Por isso eu tenho o meu refugio, a minha resistência, o pensamento.
Quando eu tinha sete anos entendi que ainda tinha vivido pouco e sonhava com o muito que viria pela frente.Aos quatorze olhava para frente ainda quase igual quando tinha sete,mas foi aí que enfrentei meu primeiro deserto, a inadequação, a solidão de ter sido um adolescente que ao mesmo tempo queria ser igual por fora aos outros, mas que era muito, mas muito diferente por dentro de todos.Aos vinte e um eu era um jovem adulto, havia descoberto o amor, o sexo, o desejo, a decepção, o prazer.A vida havia se aberto a minha frente como “um feroz carrossel”.Mas ainda faltava muito, algumas das outras experiências básicas da vida.
E quando completei meus vinte e oito já havia vivenciado essas experiencias, viajei pelo mundo, morei junto, namorei pessoas muito diferentes de mim e trabalhei em lugares que detestava ou adorava.Experimentei todos os meus limites.
E agora prestes a completar meus 35 anos, sinceramente, me sinto como se tivesse sete anos de novo, olhando pra frente como se tivesse ainda muito mais pela frente. Tenho me questionado sobre o meu papel, sobre o que estou fazendo aqui.Mas pra quem me lê sempre, eu sei, eu sei que me vêem além dos olhos, eu me sinto dentro da vida dessas pessoas porque o que sai de dentro de mim é a minha mias pura essência e ela encontra eco em outras almas, afinal viemos todos do mesmo ponto, de dentro dos olhos de Deus.
Eu estou prestes a entrar num novo ciclo da minha vida e sei que é nele que vou realizar aquele que sempre foi o meu maior sonho. Eu semeei esse filho durante todo este tempo.É a essência da vida vindo ungir os meus dias é a integração do meu corpo frágil e passageiro corpo com o cosmos eterno.
Um anjo da morte rondou pela minha casa, eu o vi, olhei dentro dos olhos dele e entendi a mensagem. Eu morrerei aos noventa e dois anos, acredito nessa profecia.O anjo da vida que me cerca também profetizou sobre a minha vida, eu vi dentro dos olhos dele o sorriso de um filho.
Eu te perdoo porque é grande o meu coração, eu te perdoo porque deixar de querer mal alguém que me feriu é um gesto grande da minha alma e eu sempre busco ampliar o meu espírito. Não me engano com a perfeição nem me iludo com o reconhecimento dos outros, me satisfaço plenamente com a satisfação que sinto de estar aperfeiçoando a minha existência.
Não guardar ressentimentos em relação a alguém que nos magoou não é ser fraco ou ter memória fraca, ou se deixar ser enganado, o verbo perdoar depois do amar é o verbo mais luminoso de um coração.A capacidade de perdoar alguém é uma das virtudes mais admiráveis que se pode encontrar em um ser humano.E ser perdoado um dos maiores presentes que recebemos.
Eu posso jamais esquecer o que me fizeste, mas posso jogar fora o sentimento de vingança, posso descartar a mágoa, posso, sim eu posso, dar mais um voto de confiança.
Eu te perdoo porque meu amor é maior, não a necessidade dele, mas ele em si, o meu bem-querer não quer conviver com o ressentimento, apenas quer restituição, não uma compensação, mas o retorno daquilo que brotou um dia e por causa da falta d’água secou.
E por ser assim, o meu perdão é puro e sincero, ele não fere o amor próprio que habita em mim, quero mais que uma história triste, um pranto por alguém que não existe, porque está sedimentado no fundo do meu coração que eu não sou igual a eles. E sei que voce é igual a mim. Por isso nós merecemos o perdão um do outro.
Quase sem duvida nenhuma na minha vida o maior desafio é saber como lidar com as relações humanas. Todas elas. O grau de decepção que sinto às vezes me faz acreditar que minha alma e meu corpo apenas ocupam o mesmo lugar por necessidade terrena. Porque pra viver aqui é preciso ser normal, é necessário ser igual, ter uma existência comum e pequena. Em nada se pode ser diferente, porque se não a gente destoa atrai inveja. Não se iludam, para ser admirado só seremos por alguém que não faz parte dessa “manada”.Os verdadeiros pastores são aqueles que arriscam a própria vida por uma única ovelha desgarrada.
Fico com aquela horrível impressão, “será que nasci na época errada?”, por isso agora escrevo com o coração meio pesado sabe, meio decepcionado. E rogo, sempre peço aos céus para ser compreendido, não pelo o que está claro, mas o que está escrito nas entrelinhas.
Narrar, contar fatos de si, da imaginação, da minha ou da vida de qualquer um é uma das poucas coisas que une, que faz coincidir corpo com alma.Além de ser uma forma de resistência a mediocridade. Sherazade resistia ao sultã Shariar no livro “Mil e uma noites” contando histórias.O soberano desiludido com a traição de sua primeira esposa e convencido "de que não havia mulher alguma de cuja fidelidade pudesse estar seguro, decidiu que casaria cada noite com uma [jovem], que seria morta ao alvorecer do dia seguinte".
Eu penso, penso muito em mim, em tudo, por isso tenho muitos questionamentos, mas também muitas certezas, gotas de luz molham minha face e isso faz toda diferença na minha vida.Eu buscador, eu sonhador, eu realista, eu criador, li no pensamento de alguém esses dias "Procure julgar o que acha pecado, como se fosse uma virtude. " Quão otimista é essa pessoa.
Perto do mar eu fico ainda mais sensivel para escutar os pensamentos dela, qualquer coisa que eu fizer, e se eu me distrair, e se eu me perder, e se eu chorar ou sorrir, não importa, tudo me levará para o Caminho. É só uma questão de tempo.
“E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. E eis que havia ali um varão chamado Zaqueu; e era este um chefe dos publicanos, e era rico. E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura. E, correndo adiante, subiu a uma figueira brava para o ver; porque havia de passar por ali. E, quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convêm pousar em tua casa”
(Lucas 19:1-5).
Apesar de ser sonhador vivo muito mais do que sonho, apesar de ser romântico enfrento muito mais a realidade do que o amor. Num único dia tem horas que acho que estou caminhando pelas estradas do inferno, mas tem momentos, como esse, que me sinto palmilhando as estradas do paraíso.A consciência de viver a vida sem ser automático me eleva, me faz subir na árvore.
Meu coração anda me dizendo que ela, a menina que faz ventos, é um pouco o oposto de mim, “Não há vento ou tempestade, que te impeçam de voar”, uma Maria Madalena arrependida, uma Eva perdida, a encantadora dos meus ideais, enquanto eu sou sensível, não é que ela é dura, só é mais realista do que eu. Eu sou marinho, mas ela é do ar, nasceu do ventre de uma nuvem que choveu sobre o deserto
A menina faz ventos, mas a mulher está acorrentada pelos homens de pedra, a minha alma livre vai te libertar, apenas espero pela tua voz, apenas espero pelo teu chamado...
Uma mulher que quando ama faz ventania, sopra de seu coração uma brisa de poderes sobrenaturais. Mas ela não se apaixona pelos normais.
Eu sou um corpo celeste que fica orbitando em volta dessa minha alma preferida e isso pode ter duas faces. Uma heliocêntrica, sempre voltada pro sol, mas como uma lua branca, sem luz própria que apenas reflete o brilho. Porque assim dos seus olhos eu sou um filho. Mas outra é ser um cometa que comete, loucuras e desatinos, que viaja e risca seu céu, deixando um rastro luminoso pelo caminho por onde passa, passará e passarinho.
O lado esquerdo daquele peito, antes um território sagrado, tem sido invadido pelos cavaleiros do apocalipse, cada um montado numa égua. O primeiro é a inveja, o segundo a traição, o terceiro o horror e o ultimo o ódio. Onde antes havia apenas inocência hoje pode estar sendo contaminado pela malandragem e pela necessidade de prazer egoísta.
Como era verde meu vale. E agora vejo avançar sobre ele o deserto da indiferença. A beleza da vida pode compensar a decepção com o coração humano, por isso me inebrio na alvorada mas me desespero no crepúsculo.Adormeço pérola mas desperto concha vazia.
A alma marítima dela vive em harmonia com meu coração solar, o sal que sai pelos olhos dela combina com a luz que entra pela minha boca.Mesmo distantes e desconhecidos, enobrecemos um ao outro nossa consciência terrena.
No lado esquerdo do peito há uma batalha, carne cortada por navalha, uma guerra entre o que se ganha e o que se perde com o tempo