Estou em Porto Velho capital de Rondônia, quase que me equilibrando na linha do equador e longe , bem longe do mar, daquele salgado, porque aqui tem um outro mar, um mar de águas doces chamado Rio Madeira.
E quando ouvi uma canção no Radio(“Vem pra cá” do grupo Papas na língua) enquanto navegava por esse rio que se parece tanto com um mar, chorei igual a chuva amazônica que cai aqui todos os dias, como se quisesse me misturar, como se cada gota minha pudesse se transformar naquelas águas barrentas que se parecem tanto com um suco de terra.A floresta amazônica entrou dentro de mim e assim nunca mais serei igual.
Aqui é o lugar onde a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi construída entre 1907 e 1912 para ligar Porto Velho a Guajará-Mirim.Ela ficou conhecida à época como a "Ferrovia do Diabo", devido à morte de milhares de trabalhadores durante a construção, causada sobretudo por doenças tropicais, que como diz uma lenda aqui que sob cada um de seus dormentes existia um cadáver.Situação tão lembrada no livro de Marcio de Sousa “Mad Maria” e que depois virou minissérie da Globo.
Ainda preciso mergulhar muito dentro de tudo, mas já sinto boiando em minhas águas troncos mortos.É sinal de renovação, de luz na antiga escuridão.
Vem Pra Cá
Papas da Língua
Não ver você, não tem explicação é caminhar pela escuridão ficar a fim e não poder falar querer o sim e não se acostumar com a solidão, o medo de amar estranho vazio no seu olhar eu tento achar em algum lugar o amor que você deixou pra trás
“Memória!/Convoca aos salões do cérebro um renque inumerável de amadas./Verte o riso de pupila em pupila,veste a noite de núpcias passadas./De corpo a corpo verta a alegria esta noite ficará na História./Hoje executarei meus versos na flauta de minhas próprias vértebras.” (Vladimir Mayakovsky)
Eis minha estrofe de um milhão de dedos, vinte e três pensamentos e quarenta promessas. Meu batismo é com água, porem meu pecado é de fogo. Porque o pensamento é sujo, imundo e sórdido, precisa mesmo ser lavado, remido e limpo. Mas o coração fica lá, sempre puro, mesmo que triste, quebrado ou duro.Somos eternos filhos que choram e nossas mães não escutam.É por isso que o que nos sensibiliza também é o que nos endurece.
A carne fica insistindo em querer ser carvão, mas é o espírito, com outra vibração, que é o diamante, lapidado, de longe parece até vidro quebrado, mas de perto se descobre a jóia que é, e de como ele é brilhante. Minha chave orgânica abre a porta da minha existência, entre esse e o outro mundo. Ao invés de morrer vou me misturando, me combinando e me dissolvendo nos outros.
Eis minha pipa com rabiola feita de remorsos, papagaio sem linha, Esse meu ar atmosférico é cheio de alquimias, caminho pela nuvem para evitar as superfícies escorregadias. Porque se eu cair não sei qual parte de mim vai se quebrar, se a mole e frágil ou se a dura e robusta, se uma vértebra ou uma pálpebra.
"A chuva nunca para de cantar, com seu sonho de água vem acesa pra lavar o que passou"–(Cordel do Fogo Encantado)
Nenhum sonho é apenas um sonho, porque ao se sonhar o pensamento dá um salto para o futuro e o desejo, combustível dessa viagem toda, se lança na corrente sanguínea do sonhador. Sonhamos porque a vida real nos decepciona e por isso o inconsciente da gente precisa gritar.Alguns para fugir cometem exageros, ou bebem demais, ou dormem demais,ou são duros demais fazem, os excessos são a fuga da ilha, no continente onde tudo é demais, não sobra tempo para descobrirmos nossa real condição.
Somos iludidos pela ilusão que o que conversamos internamente com a nossa psique seja um segredo inviolável, tudo que fazemos e dizemos é uma revelação, as roupas que vestimos, a bagunça que deixamos no quarto, na nossa mesa, o silencio ou o excesso de fala. Para quem tem os olhos bem abertos não só para si, mas para o mundo, é fácil descobrir os segredos das pessoas.
Na mesma pagina(da minha vida), mas começando outro capitulo começou a chover, forte e eu procurando abrigo, comecei a olhar para o céu admirando a chuva, os pingos bailando no céu ate atingirem o chão, vistos no reflexo da lâmpada de um poste...é incrível a coreografia, os pingos caindo em sintonia, o vento criando suas trajetórias, é como uma dança ficar olhando para eles de onde eu estava.
Nem percebi que estava molhado, se pudesse ficaria nu na chuva...recitando um poema que gosto tanto do poeta Mário Chamie: “Não percebeu que percebia que a chuva que chovia não chovia na rua por onde andava.Era a chuva que trazia de dentro de sua casa;era a chuva que molhava o seu silêncio molhado na pedra que carregava.Um silêncio feito mina,explosivo sem palavra,quase um fio de conversa no seu nexo de rotina em cada esquina que dobrava.Fora de casa,seco na calçada,percebeu que percebia no auge de sua raiva que a chuva não mais chovia nas águas que imaginava.”
Não é fácil ser quem eu sou, o criador me deu a missão de existir, de viver, estar, permanecer e um dia partir. De vez em quando quebram nossas asas e puxam nosso tapete, mas não paramos nunca, temos o poder de nos ferir e de nos curar. Somos Super-heróis e nem nos damos conta disso, tá certo que tem muita Criptonita por aí, podem nos arrancar pedaços, sugar nossa energia e até mesmo nos fazer sangrar, mas a alma não pode ser partida e por isso somos invencíveis.
Somos invencíveis pela teimosia de continuar sonhando, mesmo quando parece ser impossível que esse sonho se realize, invencíveis porque somos persistentes e amamos mesmo quando todos os nossos amores só nos decepcionaram. Uns vão nos achar tolos, outros que somos loucos, mas pelo menos uma pessoa no mundo saberá que somos alguém especial.E para todas as outras pessoas ao invés de invencíveis seremos invisíveis. Mas não importa ao conquistar o coração de alguém que nos respeita e não mente para nós a nossa invencibilidade mais uma vez prevalecerá sobre os cegos deste castelo.
“Amar, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido.”
(Vinicius de Moraes)
Quando fico diante do mar à noite tenho a sensação de eternidade, e a escuridão não me amedronta não, porque as estrelas brilhando no céu negro e as espumas brancas formadas pelas ondas ficam espalhadas na areia mostrando o caminho por onde devo passar.
Um poeta quando ama faz o vento soprar a seu favor e não há parte neste e nem no outro mundo que suas palavras não possam alcançar, “viaja pra longe te encontrarei em algum lugar”... seus dedos escrevem fragmentos de canção e reconstituem pedaços de seu coração .É como se as linhas da palma de sua mão quisessem saltar para o ar, para o papel e para a tela.Nesse momento sinto a sensação que já estou aqui por muito séculos, em outra janela, com outras roupas, em outros papeis, em outras situações, mas sempre com os mesmos olhos.
O infinito é a casa da minha existência, diante do mar escuro a sensação é que já estive, que já desapareci e que já ressurgi, mas essa é minha permanência, no caos do pensamento há momentos de intuição, a lucidez espiritual que se desprende do material e liberta essa alma.
E a liberdade da alma é onde está a curva do universo.
Por mais que se revele, o corpo da mulher será sempre um enigma, uma esfinge cercada com suas parábolas a espera de uma solução. E o olhar do homem, sempre repleto de desejo, reflete toda essa interrogação.
Apesar de parecer ousada e moderna, a minissaia foi popularizada lá nos anos 60 por uma estilista inglesa chamada Mary Quant.Trata-se de uma peça do vestuário feminino que é um saia cuja bainha fica bem acima dos joelhos, geralmente 20 cm, e chega a revelar as coxas da mulher que está vestida com ela. Foi nessa época também que surgiu a pílula anticoncepcional, que possibilitou à mulher um controle maior sobre seu corpo e seus desejos, permitindo a conquista da liberdade sexual e o direito de escolher, ela própria, quando e se queria ser mãe.
E a minissaia materializa tudo isso em um escasso pedaço de pano, é como uma bandeira, um estandarte da liberdade da mulher que a veste. As fêmeas vestidas com ela de conduta ordinária vão mesmo parecer vulgares. Mas as que a usarem com sabedoria vão atrair para suas curvas muitos olhares.
A mulher procura num homem segurança e o homem procura uma mulher segura de si.Mulheres ousadas chamam atenção por vários motivos.Algumas por parecerem liberais sinalizam a possibilidade de uma transa fácil, não exigindo do macho muito empenho.Outras ao revelarem um pouco de seu corpo mostram uma sensualidade que estimula os machos a investirem nela.Porque há mulheres que tem sensualidade natural, um jeito bem feminino e atraente que por isso são naturalmente discretos. Não chamam a atenção pelo o que estão mostrando, mas pela sua delicadeza e feminilidade.
A minissaia além de sair do armário com a volta do verão voltou a ser discutida, porque há atualmente do corpo jovem um excesso de erotização.As mulheres se defendem dizendo que se vestem como querem e se sentem bem, mas podem na verdade estar correspondendo ao padrão de hipersensualidade que vêem na publicidade, nas novelas e nos filmes comerciais do cinema e da televisão.
Nos meus tempos de faculdade lembro-me que no Mackenzie a garota que mais causava furor nos homens era a Luisa Mel que cursava Direito. Na época ela ainda nem era uma apresentadora famosa com um programa que fala sobre os animais de estimação e selvagens, o “Late Show” ,que ia ao ar pela rede TV, tinha apenas um ensaio sensual para o site Virgula Girl e provocava frisson como madrinha da bateria da escola de samba da universidade.Era ela passar no Macfil, bar que fica na Rua Maria Antonia, que todo mundo batia palmas e assoviava.Mas ninguém a agredia verbalmente ou a hostilizava.
O caso da estudante Geisy Arruda me assusta por isso, a reação exagerada dos seus colegas ao fato dela ser sensual ao usar um vestido curto, ou se haviam comentários que ela é garota de programa, nada justifica aquela histeria coletiva.
A reação moralista da Universidade ao expulsar a aluna acabou tendo repercussão mundial, essa é a vantagem de se viver num mundo globalizado como é o nosso de hoje em dia, porque a liberdade de expressão e a luta contra o preconceito seja ela qual for são os valores mais cultivados pela sociedade civilizada.Os argumentos da Uniban “flagrante de desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade” acabaram soando mal, porque foram vistos como radicais, embora haja coerência já que faculdade é para estudar, e não para arrumar namorados ou provocar sensações.
Todos nós sabemos que a forma como nos vestimos diz muito sobre nós, isso é fato. O modo com a estudante se vestiu não deixa de ser uma linguagem, cujo objetivo é transmitir algo às pessoas em suas relações sociais. Porém há ainda muito machismo, infelizmente a mulher ainda é vista como objeto, se fosse um homem usando uma camisa regata e uma bermuda deixando seus músculos a vista nadinha tinha acontecido.
Na minha opinião é a faculdade a errada no caso todo, por não ter tratado a situação com mais cuidado, se a moça tem um estilo provocante de se vestir e isso não se enquadra no ambiente escolar ela deveria ter sido repreendida antes e não esperar que os alunos se manifestassem.
Vivemos no Brasil da bunda, no Brasil onde a mulher é reverenciada por suas formas, aqui elas não usam burca como se usa no Afeganistão, aqui tem liberdade política e de religião, aqui se pode usar a roupa que se quiser. Apenas cabe as instituições estabelecerem suas regras. Não se pode ir de sunga ou de biquíni a um banco por exemplo.
E é bom lembrar que a estudante Geisy Arruda cursa Turismo, justamente uma profissão onde seus profissionais tem como principio básico aceitar culturas e comportamentos variados. Respeitar as diferenças e preferências de cada um, pois turista há de todo tipo: empresários, prostitutas, gays, políticos, artistas, etc.Que tipo de profissionais vão ser esses que atacaram a garota?
Menor que a saia Pink da Geisy são as minúsculas cabeças de quem a vaiou e menor ainda a dos dirigentes dessa faculdade com seu falso moralismo.
As pessoas continuam se indignando pelas questões erradas neste país.
“Prometo, por último, que, se algum dia, numa dessas voltas que a vida dá, você deixar de me odiar sem motivo, mesmo assim continuarei te amando. Porque eu não sou daquelas que esquece de quem contribuiu para seu sucesso.Pena que você não esteja me vendo neste momento, inclusive, pois veria o meu sincero sorrisinho agradecido - e me odiaria ainda mais.” (Fernanda Young)
Ela me odeia, me detesta porque a magoei, porque feri seus sentimentos, mas por ela ser daquele jeito todo diferente e especial não me sinto assim tão mal, sendo odiado por ela.Antes do primeiro adeus olhou nos meus olhos com coragem e disse: “Você não precisava de outra porque além dessa aqui em mim há outras mulheres, algumas mais velhas e outras lolitas, uma reclamam e outras miam.”
Quando ela descobriu meu erro tentou se vingar, bolou planos, traçou rotas, deve ter até feito um boneco de vodu de mim e eu sei que ela tinha mesmo razão pra me odiar tanto assim, pois não tive a menor consideração.Mas já me penitenciei, eu mesmo tomei as providencias de me punir.
Porque ter perdido você pra mim mesmo é o único consolo que me restou, a mais raivosa e mais emocional mulher que conheci, uma personagem perfeita daquela canção do Chico Buarque de Holanda, “Atrás da porta”, tal qual aquela mulher desesperada você também se atirou em mim, no chuveiro entrou de roupa e tudo pra me impedir de te abandonar.
Porém foi no segundo Adeus que você não suportou mais,e quis destruir minha reputação, sujar meu nome e se vingar a qualquer preço. Contou pra minha família, pros meus amigos, quis que nada restasse pra mim, contou pro seus pais e pros pais da outra. No terceiro adeus queria transformar a minha vida num inferno enganando o diabo que aquele fim seria apenas o começo.
Mas eu sei que mesmo com todo esse ódio você ainda me ama, porque quem odeia tanto assim, ama mesmo que seja pelo avesso.
(Estes textos surgiram depois que li que a Fernanda Young vai pousar nua)
Pois é, as minhas leitoras quando lerem essa crônica vão ficar um pouco decepcionadas porque dessa vez não serei nada romântico.Mas como nem só de ternura vive um homem esse texto é sobre o desejo masculino e os ícones femininos que atraem sua atenção.É, talvez elas não fiquem assim tão decepcionadas.Afinal hoje em dia penso que é muito melhor as mulheres serem objetos de desejo do que de adoração.
Depois do advento da internet acredito que deva ter diminuído muito a venda da Playboy, porque basta uma pesquisa rápida no Google que zapt!, se tem acesso a milhares de fotos e vídeos de mulheres do jeito que vieram ao mundo, mas na minha época de adolescência a revista era uma febre entre os da minha idade, tínhamos verdadeiras coleções delas.Aliás um grande amigo meu “decorou” todo seu quarto com pôsteres das “coelhinhas” da playboy , era foto de mulher nua por todo o lado, nas quatro paredes e no teto.Uma verdadeira Disneylândia sexual adolescente.
E não posso esquecer que certa feita quando brincava no quarto dos meus pais em 1981(tinha 7 anos) achei acidentalmente uma revista debaixo da cama de casal.Era uma Status com a Xuxa nua.Deve ser por isso que nunca gostei muito da rainha dos baixinhos, ela acabou com a minha inocência cedo demais!(Estou morrendo de rir aqui).
Foi só á partir dos meus 13 anos que me lembro de ter começado a curtir esse lance da playboy, fui um adolescente platônico pra caramba, e foi então que nas mãos de um colega nosso surgiu uma mítica Playboy com Maitê Proença na capa, foi um frisson, combinamos pra depois da aula todos verem as fotos, compramos refrigerante e tal, enfim foi uma verdadeira festa.E depois esse colega ainda “alugava” a revista.Cada um ficava com ela dois dias só.E tinha-se que tomar o maior cuidado para não danificar a Maitêssinha.Na minha vez cuidei dela com muito carinho.Quase que minha mãe descobriu!
Naquela época a extinta Rede Manchete estava exibindo Dona Beija, novela em que Maitê cavalgou nua, tal qual Lady Godiva, pelas ruas de Araxá.
Bem, depois da Maitê(que hoje ainda continua linda e ainda por cima escreve muito bem) vieram as revistas: Março , Cláudia Alencar, abril , Sônia lima, maio Helô pinheiro, junho , Tânia Corrêa, julho - Marcela prado, agosto Lídia Brondi, setembro luma de oliveira, outubro Magda cotrofe, novembro , Josi campos.Cada um da turma se revezava em comprar a revista do mês.Como éramos menores tínhamos que bolar verdadeiros planos infalíveis para obter as revistas.
Quando chegou em dezembro e anunciaram que LUCIANA VENDRAMINI seria a próxima capa piramos todos.Ela era simplesmente a garota mais desejada de todo o universo.Tinha sido garota do Fantástico e antes Paquita da Xuxa(olha a Xuxa estranhamente de novo metida na minha vida sexual).E era a minha vez de comprar a revista.
E pro meu azar na banca perto da minha casa além do dono cumprir a lei e não vender para menores era uma moça que ficava sempre lá.É não foi mesmo fácil conseguir a Luciana.Só resolvi o problema quando consegui arregimentar para a minha causa um moço meio maluco, tipo o Zina que faz sucesso no pânico na teve, pagando pra ele com minha mesada três vezes o valor da revista.
Mas valeu a pena, virei ídolo da turma quando numa segunda feira tirei da minha mochila a Vendraminizinha na capa sentada com pose de Lolita e vestida de Paquita vermelha da Xuxa.Aquele olhar sexy e as fotos do recheio da revista levaram a galera a loucura!
“Eu te amo. E não seria metade do que sou sem você, juro. É seu ódio profundo que me dá forças para continuar em frente, exatamente da minha maneira. Prometa que nunca vai deixar de me odiar ou não sei se a vida continuaria tendo sentido para mim.” (Fernanda Young)
Brooke Shields foi um ícone feminino muito desejado na minha época adolescente, com o advento do videocassete, que chegou ao Brasil e tornou-se febre nos anos 80, tivemos acesso aos filmes dela: “Pretty Baby”, ainda menina com 12 anos e “A lagoa azul” de1980. Mas as fitas eram proibidas pra nós, a sorte era que um da nossa turma era filho do dono de uma locadora. Logo depois ela fez “Amor sem fim” que assisti no SBT quando tinha uns 13 anos e já sabia o que era o amor.
Ainda antes de a internet tornar banal o acesso a nudez feminina eram os filmes e revistas que faziam isso ser possível.E a Playboy foi sempre líder nesse segmento.Quando emDezembro de 1994 vi quem era a capa da revista quase entrei em choque. A Simony do Balão Mágico! Não podia ser verdade que aquela menininha que cantava na Turma do Balão Mágico e apresentava, ao lado de Fofão, Jairzinho, Mike, Toby um programa infantil que marcou minha infância estivesse posando nua.Foi nesse mesmo dia que fiquei com a sensação que a perda da inocência é uma das coisas mais tristes na vida.Quando conhecemos comportamentos quase que obrigatórios humanos como o ceticismo, a malicia e o cinismo a vida fica um pouco sem graça.
Ver alguém nu, principalmente pra nós homens se for uma mulher, além do lance da excitação, da também uma certa sensação de poder que aliado a imaginação gera muitas fantasias.E para o prazer humano a fantasia tem grande poder de satisfação.
Luiza Tomé tinha interpretado Francisca na minissérie “Riacho Doce” e seu tema era a canção “O que é o Amor”( O que é o amor?/Onde vai dar?/Parece não ter fim/Uma canção cheirando a mar/Que bate forte em mim/O que me dá meu coração/Que eu canto pra nao chorar?/O que é o amor?/Onde vai dar?/Por que me deixa assim?/O que é o amor?/Onde vai dar?/Luar perdido em mim”).Na história um rapaz bem mais novo se apaixonava por ela e viviam uma paixão proibida e bonita.Quando ela surgiu na capa da revista eu já sabia associar amor e desejo.Não senti choque ao vê-la, mas me lembrei daquela história da minissérie. A revista da Patricia Luschesi também foi coisa de maluco, porque ela também era um ícone por ter protagonizado uma das propagandas mais inesquecíveis, a “do primeiro sutiã a gente nunca esquece”.Lembro-me de ter comprado pra coleção a da Alexia Deschamps(uma paixão platônica ardente) e Adriane Galisteu.Não quis a da Andrea Sorvetão, não por ela não ser atraente, mas por não agüentar mais ver a Xuxa relacionada com o meu desejo.Comprei ainda as da Paloma Duarte,Isabel Fillardis, Cida Marquis,Marisa Orth e Mylla Cristie.
E as ultima que comprei foram as da Sheila Carvalho(esse um ícone fortíssimo), Tiazinha(já vi pessoalmente e achei uma graça), Debora Seco, Angela Vieira e a última foi da Marina Lima.
Agora em 2009 a Playboy voltou a me chamar a atenção, Marge Simpson foi capa e “posou” pra revista americana.É engraçado como um mulher que é um desenho animado de corpo amarelo e de cabelo azul possa causar desejo nos homens do século XXI.Talvez seja pelo fato dela representar toda uma gama de mulheres, as lutadoras que criam os filhos e cuidam da casa.Talvez ela mesmo sendo um desenho represente muito bem as mulheres reais que temos ao nosso lado.
E por ultimo a noticia que Fernanda Young também pousará para a revista me causou surpresa.Não que ela não seja atraente, mas porque mulher bonita também pode ser inteligente.E Fernanda é uma das minhas musas intelectuais.
Ela declarou que posou para a Playboy por duas razões: a primeira era ganhar a roupa de coelhinha; a segunda, para encontrar uma mulher que não está acostumada a ver nas publicações masculinas. “Quero mudar a estética do Brasil. Sou altamente brasileira, mas era sempre representada por um erotismo que não me diz respeito. Resolvi posar para me satisfazer” E disse sem papas na língua : “espero que muita gente se masturbe”.E ainda confessou que “Pensei tanto que já estava pensando em desistir, mas então lembrei de três babacas e adoro uma vingança”, disse, referindo-se a homens que lhe fizeram mal no passado.
“Do tranqüilo céu,/Das profundezas da terra/Me surge como em sonho/Teuamado rosto/Envolto na névoa da noite/Será que voltarei para nosso lampião/Como outrora, Lili Marlene.”(Trecho daCanção“Lili Marlene” que naépoca daSegunda Mundialera o hino de todas as tropas e foicantadacom muito sucessopela atriz alemã Marlene Dietrich)*
Pode o vento explicar porque se transformou numa tempestade?Ou porqueo queum dia foisinônimo deamor hoje é apenas prova de amizade?Nas curvas do caminho cada palavra importa, é uma pena que o que parecia ser apenas uma escolha na verdade foi uma troca.
E os meus dizeres cabem em qualquer história, saudades são feitas de memóriae a maioria das lembranças é contada pelo pensamento que viaja no tempo.Nem sempre se encontra alguém por afinidade ou por acaso.
Há acontecimentos em que você tromba com ela correndo na direção contrária.
*Lili Marlene é uma canção dos soldados alemães sobre separação, despedida e a incerteza de um diaretornaraos braços da amada. Emplena Primeira Guerra Mundial,umsoldado de 21 anos rascunhou os versos num pedaço de papel, pouco antes de deixar sua caserna, em Berlim, para o front. O que a inspirou foi a despedidadojovem soldado da namorada e de uma amiga, sob a luminária pública (Laterne). As garotas chamavam-se Betty, de apelido Lili, e Marleen. O curioso desta música é que ela foicantada já na Segunda Guerra Mundialpelos dois lados em conflito.
Ganhou versões em mais de 40 línguas e foi eternizada na voz de Marlene Dietrich.
Matheus sempre brinca com Ornella dizendo que pela sua historia bem que ela se encaixaria perfeitamente como uma personagem de novela.Nascida em Roma essa italiana sempre quis ter filhos e segundo ela o contou seu sonho só se realizou de uma maneira anti-natural :“Já que o homem que eu amo não quer ter filhos comigo eu os terei com um desconhecido”.Então foi assim que ela contou para ele que sua filha, Gheorgetta, nasceu de inseminação artificial, do sêmem de um doador incógnito .
E o perfil do doador era: Porte atlético, 35 anos, pele clara, levemente morena, olhos castanhos escuros, descendência portuguesa, índia e negra. A menina nasceu saudável e cresceu feliz.Era admirada pelas outras crianças, seu típico físico chamava atenção e despertava ternura e curiosidade.
“Meu pai é um astronauta, vive no espaço numa missão quase infinita, mas quando chegar vai morar lá no centro do universo”, sempre diz isso quando perguntam sobre seu pai e o invés das pessoas acharem graça ficam é comovidas com essa visão poética da menina a cerca da ausência do pai.Quando Matheus conheceu mãe e filha passou por uma fase de querer aquilo pra ele, ser pai postiço e marido integral.
Ornella toca muito bem violino e convidou Matheus para ouvi-la. Mas durante aquela noite romana em São Paulo e já na segunda garrafa de vinho Onella desabou: “Eu menti pra você”.
Gheorgetta na verdade era filha de alguém que Ornella conheceu muito bem, um homem com quem ela quase se casou, mas ele a abandonou quando a gravidez estava quase no final, sumiu, desapareceu. E ela com muita vergonha da filha que viria inventou toda essa história.
Quando Matheus descobriu se desencantou, Ornella tentou de todas as formas pedir perdão e ele perdoou, porém parece que algo agora faltava.Eles tentaram muitas e muitas vezes, Ornella pensou em se mudar para o Brasil, mas Matheus encontrou Mariah.
E Gheorgetta permanece sua filha, mesmo ele sabendo agora quem é seu verdadeiro Pai.
“Eu chamei-te para ser a torre/Que viste um dia branca ao pé do mar/Chamei-te para me perder nos teus caminhos./Chamei-te para sonhar o que sonhaste/Chamei-te para não ser eu:/Pedi-te que apagasses/A torre que eu fui a minha vida os sonhos que sonhei.” (Sofia de Melo Breyner)
Logo depois da partida da Pastora de Nuvens passei por momentos muito dramáticos e mesmo assim Ingrid permaneceu ao meu lado lealmente, suportou a humilhação que é ver a dor do outro por amor à outra pessoa. Não sei por que ela fez isso, só sei que sou grato e a minha gratidão atingiu o infinito.
Durante minhas alucinações eu chegava a ver a Pastora de nuvens no corpo de Ingrid e acho que ela percebeu isso, mas jamais revelou qualquer tipo de ressentimento. Acho que foi essa benevolência que me curou.
Mas antes de amar Ingrid precisei espalhar as cinzas da Pastora de Nuvens pelo mundo, conforme eu havia prometido para ela enquanto ainda respirava e sorria. E cumpri seu desejo sem dor, com muita alegria, sempre sozinho e satisfeito por cumprir promessa tão divina.
Soprei os resíduos de seu corpo numa fazenda no Mato Grosso onde planejávamos nos casar em alguma primavera dos anos 2000.E e ficava esperando um sinal dela que sempre veio.Na fazenda foram as cigarras que cantavam como trilha sonora do nosso ritual de despedida.
Quando derramei seu pó sobre o mar, Baia da Guanabara, o pio da gaivota e um peixe pulando foram a confirmação. Na curva do Rio em Gramado/RS, na pedra em Itatiaia/RJ ou numa escarpa dos Andes no Chile foram pessoa vindas de não sei onde e que foram para alhures que com seus olhares e palavras ratificavam o desejo da Pastora de estar em todos esses lugares mesmo depois de já ter partido.
Por fim seus últimos grãos foram despejados numa praia do Ceará, ventava bastante e eu me lembrei da primeira foto que eu tinha dela, montada num cavalo, e sorrindo. Aquela imagem vem sempre na minha visão, chego a pensar que ela não morreu, que ainda posso encontrar com ela sem querer por aí.
Mas do retrato eu também já me desfiz, assim como da dor por sua perda.Só não posso evitar esse meu dom de viajar no tempo e tornar possível que futuro, presente e passado convivam no mesmo agora.