O meu caminhar(Ano V) - A melhor parte de mim


Bela noite para voar

Pastora de nuvens, esqueceu-me o rosto 
do dono das reses, do dono do prado. 
E às vezes parece que dizem meu nome, 
que me andam seguindo, não sei por que lado. 
(Pastores da terra, que vedes pessoas 
sem serem apenas de imaginação, 
podeis encontrar-vos, falar tanta coisa! 
Eu, não.)”  (Cecília Meirelles – Do poema “Destino”)

 

Naquela noite enquanto sobrevoamos o mar ela me pediu pra que eu escrevesse um pouco sobre amor, sobre o nosso amor, porque tinha algo importante para me dizer.

Então para buscar inspiração me sentei perto da janela e fiquei olhando como a lua derramava sua luz prateada sobre as asas do avião, devo ter ficado assim alguns minutos e quando me virei pra chamá-la pra dividir aquela visão, ela estava adormecida. E foi como se eu sentisse um sopro de vida em meu coração, quando o amor de nossa vida dorme ao nosso lado é como se nossa alma se re-significasse.A pastora de nuvens sempre dormia com um sorriso nos lábios, era como se um anjo estivesse ali repousando pertinho de mim.

E chorei ao invés de escrever, arrependido das vezes que a feri, que a magoei, até mesmo sem ela saber, naquela semana tinha descoberto que seria pai, por isso viajamos para o Rio Grande do Sul juntos durante o carnaval, seria a nossa celebração inesquecível, fizemos amor em um vinhedo e gritamos o nome um do outro num canyon. Eu não cabia dentro de mim de tanta felicidade.Jamais tinha alcançado tanta graça em minha existência.

Comecei a escrever, e me declarei, e traduzi em palavras aquele momento e tudo que ela significava pra mim. Dobrei o papel e coloquei no bolso pra quando ela acordasse, ou para um outro momento especial.

E antes que o avião,pousasse ela acordou ainda sorrindo, segurou na minha mão e disse as frase mais tristes que os meus ouvidos já ouviram: “Eu te amo, mas sinto muito, muito, muito meu amor, mas não posso esconder isso de você, ao mesmo tempo em que a vida nos abençoou ela também me trouxe uma noticia ruim, mas seja forte”.Tanta coisa passou pela minha cabeça, porém ela não me deixou em duvida muito tempo, apenas alguns segundos se passaram entre essa e a próxima frase.O sorriso tinha partido e lágrimas agora escorriam dos seus olhos.

“Eu tenho uma doença grave, mas lutarei com todas as minhas forças pra levar essa gravidez até o final”. Não me lembro mais qual foi a minha reação naquela hora e nem o que passou pela minha cabeça, tudo já se apagou.Só ficou o som dessas palavras, como uma música triste que as vezes toca e que as vezes eu canto.

“Sei sobre a Ingrid, sei que você se apaixonou por essa outra mulher, e eu soube e te perdoei sem você saber. Encontrei com ela secretamente, sei que vai parecer loucura, mas quero que depois que me for, vocês dois criem nosso filho juntos.Ela concordou”.

Quando a Pastora de Nuvens se foi eu segurava sua mão com firmeza e dessa vida os meus olhos foram à última visão que ela teve. E a minha carta daquela bela noite para se voar foi o ultimo presente que ela recebeu. Nosso filho não suportou tanta dor e não conseguiu vir a esse mundo.

Mas se viesse teria se chamado Matheus.



Escrito por Andre Luis Aquino às 01h47
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Desfaz o vento o que há por dentro

Quando a banda SKANK foi fundada em 1991 eu, pessoa física, tinha 17 anos, e sem pódio de chegada ou beijo de namorada estava me preparando para o vestibular. Tinha recentemente me mudado pra Sampa e fazia cursinho no Etapa. Samuel Rosa (guitarra e voz),Henrique Portugal (teclados), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferreti (bateria) nessa mesma época tocavam numa churrascaria em Belo Horizonte e nem eram conhecidos nacionalmente.

Foi só em 1993 que eles surgiram no cenário musical brasileiro, e eu, ainda pessoa física e com 19 anos, já morava no Estado do Rio de Janeiro onde estudava Agronomia na UFRRJ(Rural).E foi nas festas da universidade que tomei contato com "O Homem Que Sabia Demais", "Tanto" e "In(Dig)Nação" , suas primeiras musicas de sucesso.Ainda me lembro que da janela do apartamento, onde passava os finais de semana em Niterói,olhando o museu “disco voador” do Niemayer ,ainda em construção, eu cantava os versos: “Coveiros gemem tristes ais/E realejos ancestrais juram que eu não devia mais querer você/Os sinos e os clarins rachados/Zombando tão desafinados/Querem, eu sei, mas é pecado/Eu te perder/É tanto, é tanto/Se aomenos você soubesse/Te quero tanto...”

Quando saiu o segundo álbum, Calango, em 1994 com as canções"É Proibido Fumar", "Te Ver", "Pacato Cidadão", "Esmola" e “Jackie Tequila” no meu discman só dava Skank, neste ano viajei a Campos dos Goytacazes /RJ  pro litoral norte do Rio, Grussaí(distrito deSão João da Barra) e Atafona, essa ultima uma cidadezinha que fica no delta do Rio Paraíba do Sul e que o mar já estava invadindo.Caminhei uma tarde toda entre Atafona e o distrito de Grussaí tendo sob os meus pés uma praia vasta e de fronte para um mar misturado com água de rio ouvindo os versos : “É como mergulhar no rio e não se molhar/É como não morrer de frio no gelo polar/É ter o estômago vazio não almoçar/É ver o céu se abrir no estio e não se animar...”

Quando eles lançaram o disco “O samba Poconé” com o hit “Garota Nacional” a minha vida já tinha dado um giro de 180º, abandonei a Agronomia no Rio e foi morar uma temporada no Estados Unidos da América viajando muito pelo mundo.Os versos de Garota Nacional “conheci a ti mesmo e eu me conheço bem”serviam muito bem para aquela minha fase, assim como “E finjo que não finjo ao ignorar eu sei/Que ela me domina no primeiro olhar...”

“Siderado” surgiu em 1998 e eu já estudava Administração no Mackenzie em Sampa.Estava noivo e usei os versos da canção  "Resposta" para pedir minha namorada daquela época em casamento: “Os versos seus tão meus que peço/Nos versos meus tão seus que esperem/Que os aceite... Em paz eu digo que eu sou/O antigo do que vai adiante”
“Maquinarama”, lançado em julho de 2000, foi um divisor de águas na carreira do Skank que já não usavam mais metais em suas gravações, e eu, já pessoa jurídica naquele ano, namorava uma japonesa que carinhosamente chamava de minha “queixa”, brincando com a palavra gueixa.Quando ela ficava brava comigo cantava os versos da canção “balada do amor inabalável”: “É força antiga do espírito/Virando convivência/De amizade apaixonada/Sonho, sexo, paixão/Vontade gêmea de ficar/E não pensar em nada...”

Quando “Cosmotron” foi lançado em 2003 meu coração era da Pastora de Nuvens, minha paixão por ela começou com vou deixar: “Nananã!/Eu já estou na sua estrada/Sozinho, não enxergo nada/Mas vou ficar aqui/Até que o dia amanheça/Vou esquecer de mim/E você se puder/Não me esqueça.../Vou deixar o coração bater/Na madrugada sem fim/Deixar o sol te ver/Ajoelhada por mim...”.Depois passamos pela fase de “Dois rios”: “E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro/Dou o meu lugar pois o seu lugar/É o meu amor primeiro/O dia e a noite as quatro estações

E infelizmente terminou como “amores imperfeitos”: “Não precisa me lembrar
Não vou fugir de nada/Sinto muito se não fui feito um sonho seu/Mas sempre fica alguma coisa/Alguma roupa pra buscar/Eu posso afastar a mesa/Quando você precisar/Sei que amores imperfeitos/São as flores da estação”

“Radiola”, lançado em outubro de 2004, com a regravação de "Vamos Fugir" de Gilberto Gil marcou meu encontro com Ingrid. Que persistiu até “Carrossel’ em 2006. Quando ela sumiu no nevoeiro enquanto eu cantava pra ela "Seus Passos": “E quando caio do seu bolso/Escorrego pelo rosto/Nossos beijos e palavras/Ficam soltos no lugar/E o que dizer desse segundo/Distraído do olhar
Que no infinito corre mundo/Onde o céu encontra o mar

E agora veio o CD “Estandarte” com “Sutilmente” que quando toca já está fazendo história hoje e amanhã. Essa canção demonstra o poder do orgulho e do arrependimento, da repulsa e da atração: “E quando eu estiver triste/Simplesmente me abrace/Quando eu estiver louco/Subitamente se afaste/Quando eu estiver fogo/Suavemente se encaixe...”



Escrito por Andre Luis Aquino às 09h30
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Teu olhar flor na janela

Nem todo problema que um rapaz tenha com sua namorada se deve ao modo capitalista de produção.”  (Herbert Marcuse – filosofo alemão)

 

Ela esteve em tantos lugares do mundo que chegou a ser irônico quando no meio de tantas loiras quis se tornar morena. Ingrid sempre tomou para si a necessidade de ser.Tem a péssima, sob a ótica do risco, e a ótima, sob a visão da oportunidade, mania de ser assim em situações limite.Porque ela não sabe falar alemão, só Ich liebe Dich.

Passou dias em silencio, só ouvindo, em Berlin, perto de onde era o muro, o que as pessoas dizem.Ingrid olha para as pessoas como se todas elas estivessem numa jaula, a cidade é um zoológico humano, os animais racionais não se devoram com a boca, mas pelos olhos e pela cobiça.

Enquanto descemos as ruas e subimos ladeiras por um instante somos quase deuses na perfeição do momento fugaz. Naquela praça Ingrid era Eurídice longe das garras de Hades.

 

Soneto do Orfeu

São demais os perigos dessa vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida 

E se ao luar, que atua desvairado
Vem unir-se uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher 

Uma mulher que é feita de música
Luar e sentimento, e que a vida
Não quer, de tão perfeita 

Uma mulher que é como a própria lua:
Tão linda que só espalha sofrimento,
Tão cheia de pudor que vive nua.

Vinicius de Moraes 



Escrito por Andre Luis Aquino às 20h11
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Caim matou Abel

Por conta de uma viagem longa nos últimos dias desandei a ler bastante, mas do que já faço habitualmente. E há muito espaço pra isso quando se viaja. Enquanto se espera o trem ou o avião e mesmo durante o vôo ou o trajeto, ler é sempre a melhor opção. Foi dessa maneira que li de Saramago seu novo livro: “Caim”. Obra perturbadora e que me tirou o sono algumas noites. As minhas relações com livros são passionais demais. Tudo que toco com as mãos vem pra dentro de mim.

Filho primogênito de Adão e Eva segundo o Antigo Testamento da Bíblia, Caim sentiu ciúmes por Deus ter preferido as ofertas feitas pelo irmão mais novo, Abel, e matou-o, cometendo o primeiro homicídio na história da Humanidade. 

Saramago é um homem intelectual e grande escritor que em suas obras está sempre a criticar a religião e mais ainda a forma como o ser humano se relaciona com Deus. É assumidamente ateu, o que significa dizer que não acredita na existência de um Deus como os cristãos tem fé. Para os radicais isso faz dele um maldito, proscrito, herege e bandido. Para os buscadores suscita curiosidade e admiração.

Assim como o escritor indiano Salman Rushdie foi perseguido e ameaçado de morte pelo seu livro “Os versos satânicos”, onde expõe sua frustração com o Islã, Saramago também sofrerá represarias dos cristãos, claro que menos radicais, mais ainda assim lancinantes. Porque segundo suas próprias palavras Saramago afirma acerca das religiões: “..a divindade e o conjunto de normas e preceitos que os homens estabelecem em torno a essa figura para exigir a si mesmos - ou talvez seria melhor dizer para exigir a outros - uma fé inquebrantável e absoluta, em que tudo se justifica, desde negar-se a si mesmo até à extenuação, ou morrer oferecido em sacrifício, ou matar em nome de Deus”.

O grande sentido de se praticar literatura e qualquer arte é justamente acordar as pessoas, provocar angustia e atirá-las no abismo para depois resgatá-las antes que caiam ao chão com a maravilhosa asa chamada reflexão. Porque de outra maneira se é somente um fantoche, um boneco que consome, come e dorme.

Um bom exemplo de arte é música, que por ser harmônica é prazerosa, cria memórias musicais, porque o som é das intangibilidades a mais espiritual. E quando há letras nas canções a música passa a conversar conosco. Ouço música para relaxar, mas também para pensar. Escrevo porque tenho necessidade de comunicação. E ter opinião e expressá-la de forma livre pode ofender muita gente. O fogo da inquisição é perpetuo.

Depois de ler o livro eu me apeguei muito mais não a polemica do autor “ousar” falar mal de Deus, mas a respeito da estrutura das crenças humanas que revelaram um importante traço psicológico nosso a meu ver: o de acreditarmos somente naquilo que queremos acreditar, seja por conveniência, por necessidade e principalmente por utilidade.



Escrito por Andre Luis Aquino às 19h10
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Consumidos pelo desejo

Todos comem e bebem; são poucos os que sabem distinguir os sabores.”  (Confúcio).

 

Sou mais importante como consumidor ou como cidadão? Já não se fabrica mais produtos e sim necessidades e desejos. A cidadania ficou em segundo plano, a real inclusão social no capitalismo é a capacidade de se consumir bens que elevam ou conferem algum status perante a sociedade.

Em direito, cidadania é “a condição da pessoa natural que, como membro de um Estado, se acha no gozo dos direitos que lhe permitem participar da vida política. A cidadania é, portanto, o conjunto dos direitos políticos de que goza um indivíduo e que lhe permitem intervir na direção dos negócios públicos do Estado, participando de modo direto ou indireto na formação do governo e na sua administração, seja ao votar (direto), seja ao concorrer a cargo público (indireto).” Um consumidor está é preocupado com os seus desejos individuais a serem satisfeitos, sem relação com nada que seja coletivo. São duas condições exatamente antagônicas.

É sobre isso que trata o livro que li duas semanas atrás: “Consumido - Como O Mercado Corrompe Crianças, Infantiliza Adultos e Engole Cidadãos” que coloca estas questões a luz da analise de seus leitores mostrando que nós, os  consumidores adultos, tendemos a ser infantilizados por meio de uma indústria, em âmbito global, voltada para a criança, com uma produção mais do que exagerada.
O livro cita que : “Nestes tempos miseráveis de triunfo do capitalismo, em que resvalamos para um narcisismo de consumo, as sete idades do homem, de Shakespeare, correm o risco de ser varridas pela infantilidade vitalícia”.Pesquisando descobri que as tais sete idades de Shakespeare são do  trecho a seguir, da comédia “As You Please” ('Como Você Quiser'):

O mundo inteiro é um palco, e todos os homens e mulheres são meros atores: Eles têm suas saídas e suas entradas; E um homem cumpre em seu tempo muitos papéis. Seus atos se distribuem por sete idades. No início a criança choraminga e regurgita nos braços da mãe. E mais tarde o garoto se queixa com sua mochila, e seu rosto iluminado pela manhã, arrastando-se como uma lesma sem vontade de ir à escola. E então o apaixonado, suspirando como um forno, com uma balada aflita, feita para os olhos da sua amada. Depois o soldado, cheio de juramentos estranhos, com a barba de um leopardo, zeloso de sua honra, rápido e súbito na briga, buscando a bolha ilusória da reputação. Até mesmo na boca de um canhão. E então vem a justiça, com uma grande barriga arredondada pelo consumo de frangos gordos, com olhos severos e barba bem cortada, cheio de aforismos sábios e argumentos modernos. E assim ele cumpre seu papel. A sexta idade o introduz na pobre situação de velho bobo de chinelos, com óculos no nariz e a bolsa do lado, suas calças estreitas guardadas, o mundo demasiado largo para elas, suas canelas encolhidas, e sua grande voz masculina quebrando-se e voltando-se outra vez para os sons agudos, os sopros e assobios da infância.

A última cena de todas, que termina sua estranha e acidentada história, é a segunda infância e o mero esquecimento, sem dentes, sem mais visão, sem gosto, sem coisa alguma.

Há uma nova escravidão em curso, como consumidores estamos condenados eternamente a comprar as novidades do mercado, e os elos dessa corrente nos matem todos presos pela obrigação de renovar não o ar de nossos pulmões, mas o guarda-roupa, o carro, o computador e a decoração da sala.



Escrito por Andre Luis Aquino às 16h43
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O andar do bêbado

A frase “Não se escolhe um livro pela capa” ou “Você não pode julgar um livro pela capa” são usadas como uma advertência moral para exortar as pessoas a não valorizarem somente a aparência de alguém procurando saber mais sobre ela antes de tirar qualquer conclusão.Assim como um belo rosto e um corpo sinuoso possam a primeira vista atrair, mas que com um pouco mais de convivência revelem alguém vazio, um livro que tem uma bela capa pode ser uma péssima obra com o passar das páginas.Ou ao contrário, uma capa e um titulo aparentemente feios e sem sentido podem esconder um belíssimo livro.

E é isso que acontece com “O andar do bêbado”, escrito por Leonard Mlodinow, professor e físico do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia).Passei o final de semana lendo e me deliciando com uma leitura que desafia o intelecto. Não escolhi o livro pela capa, ela pouco chama atenção no meio dos outros, mas pelo o que estava escrito em letras menores em sua capa, o subtítulo da obra: “Como o Acaso Determina Nossas Vidas”.

Trata-se de uma alusão de auto-ajuda e uma contradição a uma máxima espírita: “O acaso ao existe”, porque para esta doutrina a vida seria causal e não casual. O autor insiste que não estamos preparados para lidar com o aleatório em nossas vidas e que o acaso não é somente o resultado de sorte ou predeterminação, mas a conseqüência de infinitas probabilidades. Por isso o andar do bêbado, sem direção consciente, acaba sendo uma ótima metáfora para os caminhos que tomamos na vida.

O grande lance desse livro é que ele é sobre matemática, disciplina que quase todo mundo detesta, mas o autor torna o assunto interessante com muito talento. Grande parte do que ele escreve vai contra a intuição da gente, prova por A+ B que a máxima “a pessoa certa no lugar certo” pode muitas vezes explicar o sucesso de alguém. E também demonstra que embora haja muita coisa aquém de nosso controle há algo que  podemos sim controlar: o número de oportunidades que aproveitamos.E muitas vezes é por mera tentativa e erro que chegamos ao sucesso.Corroborando com a frase de Thomas Watson, um dos pioneiros da IBM: "Se você quiser ser bem-sucedido, duplique sua taxa de fracassos."

Albert Einstein em uma de suas primeiras pesquisas estudou as oscilações aleatórias de partículas sólidas,Mas ele não aceitou as conclusões mais radicais da mecânica quântica sobre a indeterminação dos movimentos de partículas subatômicas, daí sua famosa frase "Deus não joga dados".

O que me deixou fascinado foi descobrir que nossa mente foi configurada para encontrar ordem onde ela não existe  e freqüentemente toma péssimas decisões com base nesses padrões imaginários.

Não é a capacidade de prever o acaso que nos protege, mas de saber que ele existe e não sentir medo do que nos espera.



Escrito por Andre Luis Aquino às 00h48
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O homem que busca

"Não creio ser um homem que saiba, tenho sido sempre um homem que busca; mas agora já não busco mais nas estrelas e nos livros, começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim; não é a verdade da minha história, não é suave e harmoniosa como as histórias inventadas, sabe a insensatez e a confusão, a loucura e o sonho, como a vida de todos os homens que já não querem mais mentir a si mesmos!"  (Herman Hesse; Demian)

 

Ingrid é íngreme, como uma ladeira ,meu caminho escarpado, Mariah é macia, não mole na consistência, mas suave na consciência, já Ornella é a fuga da mata escura, armadilha que quase sempre a Matheus captura.São as mulheres que determinam quem é esse homem que busca.Eu, André, que escreve tão pouco seu próprio nome, por trás das aparências que enganam, sou um poeta, um colibri que beija a palavra como se ela fosse uma flor, colorida e multipétala. Eu dentro de mim sou uma coisa, fora sou outros. Uma pitada de Matheus outra de Jonas, personagens da minha vida fora do tempo e dos sonhos inúteis. Embora pareça confuso, tudo isso existe só para que eu me defenda.

VOU ESCREVER EM MAÍSCULAS, CAIXA ALTA, COMO UM GRITO, UMA EXPLOSÃO, “THE TRUTH IS OUT THERE”, PASSO MAIS TEMPO DORMINDO DO QUE ACORDADO, NÃO PELO SONO, MAS PELO PROCESSO QUE ME DEIXA ANESTESIADO.

 A Declaração Universal dos Direitos Humanos em seu primeiro artigo diz que:Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”. Eu acrescentaria que também temos direito ao desabafo, ao desafogo de nossas emoções, não como um desequilíbrio emocional, mas como um alívio.

Colocar para fora o que nos oprime e nos envergonha deixa a alma mais livre.



Escrito por Andre Luis Aquino às 16h21
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O retrato de Matheus

Vício e virtude representam para o artista a matéria prima da sua arte". 

(Oscar Wilde)

 

Admirar a minha imagem em uma fotografia, tal qual um impávido Narciso,  é como olhar no espelho, aquela imobilidade da minha figura torna-se poesia, aquele instante foi congelado, venceu o tempo, é um eterno passado, a minha existência, quando não estiver mais aqui, estará impressa provando que um dia eu existi.O meu retrato será como uma flâmula, um lábaro iluminado por um raio vívido  .

Esta ultima foto que tirei, à luz do céu profundo e de fronte a uma cachoeira , me lembrou “O retrato de Dorian Gray”, belíssimo livro de Oscar Wilde que um dia a Pastora de Nuvens leu e me contou a história: Dorian Gray era um belo rapaz que posa para um amigo que é pintor: Basil Hallward. O retrato fica belíssimo e ao vê-lo Dorian exprime o desejo de que o quadro pudesse envelhecer e ele continuar eternamente com seu rosto jovem. Mal sabe ele que seu desejo é atendido e que sua vida sofrerá muitas mudanças.Dorian se torna egoísta, devasso e mau. No entanto, seu rosto continua com os traços angelicais dos seus 18 anos. Quando Dorian descobre que seu desejo foi atendido e o retrato está se transformando, o livro ganha mais ação. A descoberta do quadro é um momento sublime. Só ao ver estampado na pintura todas suas experiências de vida, Dorian percebe tudo o que fez na vida. Seus questionamentos são longos e Oscar Wilde descreve seus traços psicológicos de forma muito elaborada: seus conflitos, desejos, sua visão de mundo.É um livro que nos faz pensar sobre a juventude, o valor da beleza na sociedade, a vaidade e o caráter das pessoas.

Eu quando escrevo sobre mim fico “pelado na vitrine”, não por exibicionismo, mas porque tenho a consciência que o que sou também é o que muita gente é, um ser humano em busca de autoconhecimento e um sentido para a vida.

O meu retrato da cachoeira não é como o de Dorian, embora eu também tenha os meus pecados, mas foi um dia especial em minha vida, enquanto a água caia do alto da montanha até sua base pode pensar bastante.E quem pensa se angustia ou se extasia, vive a realidade ou viaja em fantasia, pensar sobre si diante da natureza e se integrar ao universo, porque o tempo todo nos sentimos a parte, a revelia, distantes como uma ilha perdida no oceano.Dorian pediu para que a ordem se invertesse, para que a foto envelhecesse ele permanece jovem.

Mas o meu pedido não é esse, não me importo de envelhecer, apenas quero ter história, ser lembrado e até mesmo esquecido,mas que eu permaneça, ainda que incógnito na memória das pessoas que cruzaram e que eu cruzei o caminho.



Escrito por Andre Luis Aquino às 13h29
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Em terra de cegos

Depois que li aquele livro “O corpo fala” descobri que tudo em mim quer me revelar, cada fala ou gesto tem sempre algum significado, não só em mim, mas em todos nós. O que essa obra ensina é treinar nossos olhos para reconhecer esses sinais que como diria Djavan “me confundem da cabeça aos pés, mas por dentro eu te devoro”.

Porque tudo que está na superfície de qualquer ser humano é só uma referência, uma miragem. Quem vê cara não vê coração, é preciso de no mínimo dez encontros para se começar a ter idéia de quem é o outro. A primeira impressão pode ficar, mas ela se modifica. É transformada pelo cheiro, mas também pela cor da roupa, é alterada pelos tons da voz, pelos sorrisos, pelas mancadas ou pelos apoios. Todo ser humano é complexo demais para a gente achar que só com a primeira impressão já sabe tudo sobre ele.

E o contrário também pode ser verdadeiro porque as pessoas podem sempre nos surpreender, quem diria que ela, toda certinha, quase uma santa te traísse ou então que ele, um galinha, sempre te dando bolo, te enganado e deixando o celular desligado num belo dia te pede em casamento e anos mais tarde torna-se um fiel marido e leal pai de seus filhos. As pessoas mudam.

Porque aquele que se equilibrava nos meios fios da rua, matava passarinho com estilingue e vivia indo pra diretoria do colégio hoje é um respeitável cidadão de bem que tem seu emprego, conta no banco, carro, família para sustentar e usa camisa social engomadinha de segunda a sexta.

Ou ela, sabe aquela menininha que mais parecia um moleque porque vivia sujinha na rua, jogava bola com os meninos, brincava de boneca e foi uma adolescente problema? Pois é hoje ela é mãe, profissional respeitada, tem jornada dupla, enfim é uma mulher moderna que precisa se desdobrar em duas ou três e ainda encontra um momento para pensar em si mesma e ser feliz.

As pessoas mudam, por força do tempo ou por necessidade de se adaptar ao mundo que está eternamente se renovando. Mudam porque querem se sentir livres e ser surpreendidas por si mesmas.Essa história de mudança não poderia deixar de citar Edson Marques e seu poema, uma ode a transformação: “Mude, mas comece devagar,porque a direção é mais importante que a velocidade.Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.... aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.Corrija a postura.Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias....Tente o novo todo o dia...
Repito por pura alegria de viver : a salvação é pelo risco,sem o qual a vida não vale a pena !!!”

É possível mudar e ainda sim conservar a mesma essência, aquela que nos mantém casados aos amores de nossas vidas ou então leais aos nossos amigos de sempre. A atitude deve mudar quando já não nos trás mais satisfação e o que se mantém é justamente as características que deram certo.Ninguém perde a própria identidade se um dia resolver ser uma pessoa melhor do que era antes.Irreconhecível fica quem prefere ficar como diria Raul Seixas em sua canção : “com aquela velha opinião formada sobre tudo”.As pessoas vão falar e lembrar de você por aquilo que você tem de mais marcante.E se for algo positivo será melhor.

Por isso nunca acredite somente nos seus olhos.

 



Escrito por Andre Luis Aquino às 01h42
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Autópsia

Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada.”

(Fernando Pessoa)

 

Jonas é como um legista dentro do necrotério examinando meu cadáver, mas eu não estou morto, estou apenas segurando a respiração com minha boca enfiada nos cabelos de Ingrid que agora está morena.

Então ele minuciosamente disseca meus tecidos, faz uma incisão com o bisturi em forma de Y de ombro a ombro, passando pelo osso esterno e indo até o osso púbis. Assim descobre que debaixo da minha pele são muitos vivendo e que há parasitas sugando meu sangue. Entre os meus ossos e a carne descobre também dois gêmeos idênticos, um menino assustado e outro valente.

Ao examinar minha laringe descobre palavras velhas, nunca ditas, no esôfago toma um susto, encontra muitos sapos, provavelmente engolidos ao longo da vida. Nas vísceras brincos, pérolas, colares e ex-namoradas.

Meu crânio foi cortado com uma serra elétrica criando uma tampa, ele a levanta expondo meu cérebro. Na dura-máter (membrana de tecido mole que cobre o cérebro) ele descobre vestígios dos meus vícios e das minhas faltas. Estão gravadas permanentemente nela todas as mentiras que disse. Quando uma pessoa finge que está sorrindo apenas consegue controlar os músculos da boca. Não os dos olhos. Como Legista ele sabe que a expressão do sorriso nos olhos é controlado automaticamente pelo sistema límbico e fica inacessível a qualquer manipulação. Assim, não havendo uma genuína emoção que dê origem a um sorriso verdadeiro, os olhos ficam inexpressivos ou então adquirem um aspecto estranho, não correspondente à emoção que se pretenda transmitir.

Ao examinar meu cérebro descobre em cada hemisfério uma personalidade diferente. Consegue visualizar o mecanismo pelo qual o lado irracional ás vezes subjuga o racional.Visualiza meus segredos e minha generosidade.

E quando toma em suas mãos meu coração descobre nele aspectos vermelhos, mas também um azulado,porque muitas vezes reprimi meu amor por medo de ser magoado.

Enquanto suturava meu corpo costurando de volta e colocando no lugar as vísceras e órgãos, Jonas reconstruía meu corpo novamente deixando as cicatrizes visíveis, todas elas sinais de uma alma plena que vive envolvida pela carne fria e cercada pelo sangue quente.



Escrito por Andre Luis Aquino às 16h40
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Mestre oculto

"Mestre - ... depois de pai, é o nome mais nobre e mais doce que um homem pode dar a outro." (Edmundo de Amicis) Ele me ensinou quase tudo que sei sobre autoconhecimento e espiritualidade, não me autoriza dizer seu nome, por isso o identifico apenas por R, a letra inicial de seu nome. Em um dia como esse, o dia em que festejamos os professores, falar sobre um mestre é oportuno e deve soar como gratidão.Nascido durante a Segunda Guerra Mundial, R perdeu seu pai durante um bombardeio, depois disso sua mãe enlouqueceu e foi internada em um hospital psiquiátrico.Foi criado pelos avós que em idade avançada morreram quando ele ainda era um adolescente.Seu único parente vivo era um tio que vivia num país distante e ele acabou sendo emancipado já aos 15 anos de idade. Nessa mesma época herda a velha casa da família e algum dinheiro de herança que usa para numa grande viagem de mochila nas costas por muitos países do mundo.Quando é convocado para lutar na guerra se recusa a matar pessoas e se tornar um combatente.Acaba preso pelo exercito, ele os chamam de soldado fracassado, ele se considera um soldado da paz. Estuda psicologia, mas nunca encontra respostas. Estuda filosofia e fica ainda com mais perguntas. Visita sempre sua mãe que já não o reconhece mais. Viaja para Índia onde aprende sobre as religiões hindus.Banha-se no rio Ganges e faz uma pacto consigo mesmo bem a frente do Taj Mahal. Vai morar no Tibet e torna-se monge budista, fica um ano inteiro sem pronunciar uma única palavra.Vive na China e aprende Taoísmo. Viaja a Europa de carona, trabalha de Garçom, camareiro e barman.É avisado que sua mãe está prestes a morrer.E ela morre segurando sua mão, mas sem reconhecê-lo. Vai para os Estados Unidos fazer mestrado e lá termina sua busca aos 40 anos de idade.Encontra o amor de sua vida, a mulher que vem de longe, usava um vestido vermelho e lenço azul nos cabelos, uma bela francesa de 31 anos.Eu conheci esse casal durante uma viagem ao cerrado aqui no Brasil.No vôo entre São Paulo e Brasilia eu lia um belo livro durante todo o trajeto.R ficou me observando, minhas reações a leitura, meus gestos de prazer e de tristeza.E foi assim que ele me deu de presente sua amizade e parte de seu conhecimento.Ainda no aeroporto falou comigo e me fez um convite de conhecer a cidade ao seu lado e de sua bela esposa. R Sempre sentiu como se não fosse desse planeta, na Índia descobriu que a vida continua depois da morte. No Tibet que o silencio também é uma palavra.Na Europa que o dinheiro não pertence a ninguém.E nos Estados Unidos que a vida simples é boa. Foi R que me ensinou que o que você atrai para sua vida é conseqüência da sua criação.Assim como ele é o meu mestre oculto hoje um dia eu serei de outrem.  E conhecido apenas como A.       

                                                                                                                                                                                                                                                          



Escrito por Andre Luis Aquino às 15h13
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Aos professores, parabéns!

A vida é teatro ou sala de aula, nós alunos ou personagens.A peça, nossa história, a aula, nossa memória. A platéia, nossa família, a classe, nossos colegas. Nosso lugar, o palco ou o camarim, nosso espaço, a carteira ou a lousa. E nós atores e alunos a cada manhã responderemos chamada logo depois que as cortinas se levantarem.

Professores inesquecíveis(apenas alguns porque quero ter assunto pra vida toda sobre meus mestres): Dalterli de Geografia, pela paixão como nos ensinava e nos fazia viajar sem sair do lugar aos mais distantes lugares do planeta e do universo.Já não está mais entre nós, morreu num desastre.Mas algo me diz que o dia que nas minhas próximas aventuras explorar um deserto jamais me esquecerei de suas descrições.E sentado num oásis eu agradecerei a ele pelo ensinamento e inspiração em minhas orações.

A professora de literatura Silvia que além de ser uma das loiras mais estonteantes que meus olhos Castanhos Aquinos já viram, tinha uma paixão incomensurável pelo livro “Os Lusíadas” de Camões e me contagiou desde o ensino fundamental pela escrita portuguesa.Graças a ela que hoje escrevo versos como: “Quero ser mais leve que o ar e mais bravo que o mar!”

O professor Bonilha na minha graduação no Mackenzie que nos ensinou muito mais que Relações Internacionais, nos ensinou sim Etnia e Nacionalidade no Mundo Contemporâneo, mas também nos contou suas histórias nos Kibutz em Israel e nos deu conselhos que até hoje uso em minha vida profissional.Certa vez deu um jantar em sua casa aos alunos do seu curso naquele ano e foi um dos melhores jantares que já participei(curiosamente e propositalmente comida árabe sendo servida numa casa judia) e uma das melhores aulas ao ar livre de uma noite de inverno na cidade de São Paulo.O tema? Dias melhores pra sempre.

Aos meus e a todos os professores do mundo agradeço, pela minha alfabetização e pela dádiva de ter me ajudado a desenvolver um pensamento critico.Sem um professor eu jamais saberia escrever nem mesmo essas mal traçadas linhas.

Parabéns mestres!

 

"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina." (Cora Coralina)



Escrito por Andre Luis Aquino às 02h23
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A cada segundo

Nas ruínas, é lá que você encontra, a ilusão desfeita, os sonhos despedaçados, os retratos quebrados e as separações. Porém é lá também que você descobre debaixo dos escombros, ainda respirando, com um fio de vida pulsando em seu peito, o recomeço, o renascimento e as ressurreições.

Quem é esse que vos diz, que parece saber tudo, mas é apenas fachada.Quem é esse que parece ser feito de imaginação, mas na verdade não é feito de nada.Calcanhar de Aquiles, sombra de minha sombra, cedo ou tarde ele tomará conta de mim, me batizará com seu fogo e cegará meus olhos apodrecidos pela terra.

E então serei uma fênix voando entre o céu e o solo e fazendo meu ninho na lua, flutuando alto, livre da matéria e da dor, alforriado do sofrimento e da carne, olharei para as pessoas como se os meus olhos fossem os mesmo olhos de Deus e os verei todos da mesma forma, com luzes e sombras fazendo os contornos de suas almas, crianças, nesse planeta eles são todos crianças, tão desprotegidos que se minimamente soubesse de sua fragilidade nem se levantariam de suas camas.

A revolução da alma já está ocorrendo, ele não será anunciada por trombetas ou fanfarras, não serão necessárias grandes tragédias ou destruições, o grande julgamento final já está em curso a cada segundo.



Escrito por Andre Luis Aquino às 16h40
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Mais uma primavera de Laura

Quando Laura Pausini fez um show em Sampa em 2005 eu não pude ir, me lembro de ter ficado lamentando durante muito tempo, porém o meu consolo foi ter dito pra mim “Da próxima vez eu vou de qualquer jeito!”

Pois ontem Laura ficou  no palco por mais de duas horas, cantou em três línguas, português, inglês e italiano, e ainda homenageou a Michael Jackson ao interpretar "Heal the World" .E eu estava lá emocionado vendo uma das cantoras que eu mais gosto, que me faz sair do chão.Quando ela entrou no palco as 21:50 ao som de  Mille Braccia”, e disse: “Olá São Paulo, que prazer voltar aqui. Está muito quente mesmo ou são vocês? Bem vindos”,"senti um arrepio percorrendo o corpo todo, minhas pernas bambearam.Quando ela cantava “Ascolta Il Tuo Cuore” eu ainda tremia.E só me acalmei na terceira “Come Se Non Fosse”

A cada canção uma emoção diferente, uma referência a uma época, a um amor, a uma fase, uma história. E veio "La Solitudine", "Non C'e" (que começou em italiano e terminou em  espanhol, "Se Fué") e "Inesquecível".Depois foi a vez de "Strani Amore", e Laura disse ao publico que  "É uma canção da gente e do Renato Russo, que ajudou [os brasileiros] a conhecer a minha voz". 

A minha paixão pela Itália sempre foi pungente, pra mim o italiano é o idioma do amor, o espanhol da sensualidade e o inglês da razão e certamente que o portugues é minha língua de alma, corpo e coração.Vestida de preto e “godinha”(gordinha com carinho) Laura estava deslumbrante aos meus olhos da alma.

O momento mais engraçado foi quando um rapaz que estava pertinho de mim na platéia após Laura terminar a música “Le Cose Che Vivi” e contar um pouco sobre sua vida. "Comecei a cantar no meu aniversário de 8 anos, em 16 de maio. Hoje tenho 35 e percebo como a grande paixão da minha vida é cantar.", gritou "casa comigo Laura. Eu te amo", e todo mundo riu. Agradávelmente, Laura perguntou para ele: “Quem é a sua paixão?” e ele disse em alto e bom som "é você aí no palco, linda". Laura conseguiu se sair bem da situação e disse "eu não me lembro disso", e caiu na risada com todos nós seus fãs.

Chorei bastante em “Sorella Terra”, “Io Canto” e “Agora Não”, sempre fez parte do meu show chorar por aquilo que me emociona e Laura sempre teve esse dom.

E o show dela terminou naquela noite, porem suas canções vão eternamente embalar o meu caminhar, até os meus últimos passos.



Escrito por Andre Luis Aquino às 23h44
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Um oásis de luz

"Quero tornar-me aquilo que sou: uma criança feita de luz." 
(Katherine Mansfield – Escritora Neozelandesa)

 

Vou sentir saudades dessa fase da minha sobrinha, do sentimento que ela me trás quando estamos juntos, aos 2 anos e meio Elisa vai começando a se definir como ser humano, é claro que ainda falta bastante, mas já há vislumbres de quem ela será.Por isso que acompanhar uma pessoa desde seu nascimento é uma fascinante viagem.

E esse sentimento mágico me fez lembrar uma palavra que aprendi numa das viagens que fiz nessa vida.Depois de uma caminhada de umas duas horas pela mata nos deparamos com cachoeira linda e refrescante e foi nesse exato momento que ama grande amiga certa vez me ensinou uma palavra sem tradução para o português. Tal como saudade em nossa língua, Bliss é uma palavra inglesa sem correspondente adequado em outros idiomas. Poderia ser êxtase, felicidade total, euforia, há muitas traduções possíveis, mas nenhuma atende a todas as nuances da palavra original. Preferimos felicidade, simplesmente, por ser a opção mais simples, não excessiva, embora fique faltando alguma coisa.Mas que servia pra aquele nosso sentimento de alivio, pois nada, absolutamente nada poderia ser melhor que aquela água naquela hora. 

Eu sei que Elisa talvez não se recordará com clareza desses anos, eu mesmo tenho minha lembrança mais remota somente aos três, mas acredito que a memória da gente não é feita só de imagens perfeitas no tempo, mas de um sentimento que independe dele, que é fabricado na alma e por isso é completo mesmo sem ser exato.



Escrito por Andre Luis Aquino às 20h28
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Desafiando o Vento

Sinto medo do escuro, mas quando vem à tempestade caminho sobre as ondas e desafio o vento.”



Escrito por Andre Luis Aquino às 23h58
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Adeus Mercedes Sosa

Quando alguém como Mercedes Sosa morre os anjos choram e cantam suas canções nas nuvens brancas que pastam mansamente nos céus. Em cada lágrima uma nota musical, em cada despedida uma canção de adeus e de gratidão.

Lá no alto e no frio dos Andes um grande Condor pia de dor, La cantante se foi, o vento sopra sobre suas asas e ele, uma nobre ave, sob o céu estrelado também chora a perda de uma mulher tão grandiosa.

Mercedes havia dito que continuaria cantando "até os últimos dias", como uma cigarra, agora que sua alma se desprendeu do corpo ainda se queda aqui o eco de sua voz cantando a liberdade, a luta e a vitória.Muito mais que uma artista popular latino americana, Mercedes foi uma grande mulher, da estirpe das guerreiras, como uma Joana D´arc das artes.

Vai com Deus, tua voz em gravação permanecerá conosco como um canto ao sol e uma serenata a lua, assim como eco da sua existência, inspiradora, meu coração é musical e em suas batidas tu seguirás cantando: “Tantas veces me mataron,tantas veces me morí,sin embargo estoy aqui,resucitando.Gracias doy a la desgracia y a la mano con puñal,porque me mató tan mal,y seguí cantando. Cantando al sol,como la cigarra,después de un año bajo la tierra,igual que sobreviviente que vuelve de la guerra.”

 

 

P.S.: Mercedes Sosa nasceu em Tucamán, Argentina, em 9 de julho de 1935. É uma cantora de grande apelo popular na América Latina e conhecida como La Negra pela cor das longas e lisas madeixas.

Ganhou destaque muito nova, com quinze anos de idade, após se apresentar em uma competição de uma rádio da sua cidade natal e conseguiu um contrato de dois meses. O timbre marcante levou Mercedes a gravar o primeiro disco Canciones con Fundamento, em 1965, com um perfil de folk argentino.

Mas foi em 1967 que se consagrou internacionalmente após gravar o sucesso Cantata Sudamericana e Mujeres Argentinas, com Ariel Ramirez e Feliz Luna. A música foi em homenagem à chinela Violeta Parra.

Já atuou com diversos músicos, como Milton Nascimento, Fagner e Silvio Rodríguez.

De personalidade marcante, Sosa é conhecida também como uma ativista política de esquerda, sendo peronista na juventude. Se posicionou contra à figura de carlos Menem e apoiou a eleição do ex-prediente Néstor Kirchner.

Toda essa preocupação inclusive fica evidente em seu repertório, tornando-se uma das grandes expoentes da Nueva Canción, movimento musical nos anos 60, com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas. Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque são representantes.

Possui um dueto com Beth Carvalho, cada uma cantando no seu idioma, na música So le piedo a Dios, além da parceria que fez com Fagner na música Años, de 1981.



Escrito por Andre Luis Aquino às 23h55
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Jonas que viveu dentro da Baleia

E levantaram a Jonas, e o lançaram ao mar, e cessou o mar da sua fúria.” (Passagem Bíblica, Livro de Jonas 1:15)

 

Jonas é um fragmento de alma, rocha dura sendo furada o tempo todo pela água macia, dentro de si há o conflito do desejo de voar com o medo de tirar os pés do chão, ele não luta, apenas resiste e adia a sua própria vocação.

Na bíblia Deus ordena a Jonas que vá para a violenta cidade de Nínive pregar a sua palavra. Jonas, no entanto, o desobedece e toma um barco para Társis, cidade de veraneio. Sobrevém uma forte tempestade. Os marinheiros jogam ao mar toda a carga do barco para evitar que ele naufrague. No entanto, o mar continua incrivelmente agitado e o perigo de um naufrágio permanece iminente. O capitão decide então procurar Jonas que havia descido para o porão e ao encontrá-lo deitado, dormindo um sono profundo, lhe diz: “Como podes dormir tão profundamente? Como podes dormir no meio deste desespero que nos faz sucumbir? Levanta-te, desperta, invoca teu Deus. Talvez este teu Deus possa nos ouvir, talvez que, com este teu Deus, não pereçamos". Enquanto isso, ao jogarem dados, os marinheiros preocupados identificam Jonas como o causador daquela perturbação. Ele por fim confessa ter desobedecido a Deus, e pede que lhe joguem ao mar. A tempestade então cessa. Ao ser lançado ao mar, Jonas é engolido por uma baleia dentro da qual passa três dias até se arrepender e pedir a Deus que lhe dê uma segunda chance. Assim, ele é expelido da baleia e finalmente segue para Nínive.

Jonas é a porção que tem medo do sucesso e da realização, vive sonhando, adora os sonhos enquanto sua existência for apenas uma projeção e que pareça nunca se realizar, mas quando o sonho está próximo de se realizar,foge, como se a concretização fosse uma ameaça, é acossado por seu medo ancestral e primitivo que o sucesso suscitará inveja nos outros, com perda conseqüente do seu afeto.  Sente medo de vencer porque não quer que os outros sintam ciúmes dele.Arcaicamente ele pensa que o sucesso atrai para ele um perigo sobrenatural. Teme o ciúmes, teme ser rejeitado.Jonas em sua fuga busca o anonimato , o silêncio que está nele não é uma ausência de palavras, é a mãe de suas frases. Mas há dentro dele um ser furioso, que não quer ser marionete ou soldadinho de chumbo, não quer ser manipulado, a rota migratória de sua alma segue sempre pro norte, Jonas é um personagem real, manifesto no inconsciente, mas que se materializa através do corpo de uma outra pessoa.



Escrito por Andre Luis Aquino às 15h02
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