Quando Ophelia ainda respirava ela existia em três estados físicos; no desejo, na paixão e no amor.E em cada um deles existiam duas faces da mesma matéria; o que ela sentia e o que sentiam por ela.
O seu desejo não se manifestava de forma imediata, era um processo de aproximação, discreto e sutil, por isso só sentia atração pelos que se interessavam por ela, ou que se mostravam gentis, solícitos e por aqueles que criavam alguma intimidade.Mas o desejo deles por Ophelia surgia como conseqüência de seus gestos, da sua maneira de se movimentar, como quando ela dobrava a perna de uma maneira irresistivelmente feminina.Ou por causa do som do seu sorriso, uma gostosa gargalhada, sensivelmente sonora que fazia qualquer homem que a provocasse sentir-se recompensado.Ophelia tinha um perfume inconfundível, a química de sua pele tornava qualquer fragrância duradoura.Por isso a cobiça por seu corpo nascia quando seu cheiro inundava os pulmões dos gentis cavaleiros que se aproximavam dela.
Em Ophelia existiu uma paixão para cada uma de suas idades, a primeira foi aos quinze quando dançou com um garoto num baile de debutante de sua melhor amiga, Betina, mas que foi platônica porque ele já estava apaixonado pela dona da festa.Aos vinte sua paixão era do tipo louca, como um vendaval, uma tempestade, um furacão, que tira tudo do lugar, modifica o cenário trazendo alguém para dentro dele, mas que também o leva embora.Aos trinta a paixão a fazia se misturar ao outro, era um sentimento egoísta e quase fatal, o amor próprio abalado a tornava dependente dos homens, quando eles iam embora entrava em aguda depressão.E dos quarenta em diante suas paixões já não eram mais como antigamente, eram ainda melhores, porque desejo, paixão e amor ocupavam o mesmo lugar.Por mais que lutasse contra isso, seu coração não conseguia ser diferente como era o de suas amigas. Para as outras o amor às vezes coincidia com a paixão, mas às vezes não. Ou então combinava com o prazer, mas às vezes não. O amor das outras mulheres às vezes podia coincidir até com o casamento, mas às vezes não. Mas em Ophelia o tempo tratou de fundir todos sentimentos num só dentro dela.
Os que se apaixonavam por Ophelia eram surpreendidos por tal sentimento, iam dormir pensando nela como amiga e acordavam completamente apaixonados.Porque ia inocente se infiltrando sorrateiramente dentro deles, ocupando os espaços e as lagunas deixadas pelas outras moças, mais bonitas, mais menos interessantes,mais vistosas, mas menos inteligentes, mais geniosas, mas menos sensíveis do que ela.
O amor de Ophelia também variou ao longo dos anos, mas bem menos que a paixão, embora tenha amado mais do que uma pessoa e todas diferentes uma da outra, a essência do sentimento era sempre a mesma.Proteção.Buscava ser protegida por eles, mas também queria protegê-los. Ophelia nunca soube, mas muitos dizerem-lhe eu te amo, porém apenas um sentiu legitimamente amor por ela. E embora este tenha se enamorado por sua boca iridescente, seus cabelos esfogueados e sua cintura fina como todos os outros, somente ele chegou onde nenhum outro tinha ido antes. Aquele homem a vez ver refletida em seus olhos e em suas palavras como ela realmente era.E embora isso ás vezes a chocasse e a deixasse nervosa com ele, foram os momentos que ela mais se sentiu completa.
Mas ela só percebeu isso quando parou de respirar.
Aconteceram duas coisas naquele ano que afetaram o resto da vida de Ângelo. A primeira lhe trouxe muita, muita tristeza, a segunda a maior alegria que já havia sentido.Perdeu alguém querido e descobriu que seria pai.
Ela foi sepultada num cemitério bonito, sem túmulos, apenas lápides no chão, a sua era perto de um Flamboyant, toda feita de mármore bege, com o epitáfio que tinham escolhido juntos, “Confesso que vivi”, inspirado por Neruda o poeta predileto deles. Ela faleceu numa sexta-feira deixando aquele final de semana vazio como uma casa abandonada. Eles tentaram ter um filho, mas perderam o bebe. Meses depois ela ficou muito doente.
Ângelo ficou meses de luto, apenas trabalhava e voltava pra casa, aos finais de semana viajava para casa de um tio que vivia sozinho numa cidade serrana e lá ficava lendo livros na rede e bebendo chá.Foi a forma que ele tinha escolhido para se curar.Num domingo melancólico estava na única livraria daquela cidadezinha sentado lendo um livro de Nicolas Sparks, “Uma Promessa Para Toda a Vida” quando foi abordado por uma moça desconhecida.
- Desculpe a intromissão moço, mas eu não pude deixar de notar que você está lendo um livro que já li e que mudou minha vida....
Ângelo ainda estava cego demais pela dor pra perceber a beleza daquela mulher, não pode notar o brilho de seus olhos e a elegância de seus gestos. Ele tentou não falar muito, desde a morte dela não tinha mais conversado assim tão de perto com alguém desconhecido, se sentia desconfortável.Mas a mulher, de vestido florido, sorria e falava pausadamente, com muito entusiasmo pela história.
E enquanto a moça falava olhando dentro de seus olhos, muitas coisas passaram em sua cabeça numa questão de segundos, sentiu saudades daquela que se foi, do jeito que ela falava, do que faziam juntos, da maneira como prendia os cabelos, do cachecol roxo que ele deu de presente no derradeiro inverno que passaram juntos. E de uma das últimas frases que ela lhe disse : “Para que eu seja inesquecível em sua alma, esqueça-me”.
A moça acabou ganhando a simpatia de Ângelo, ainda tomaram um café juntos, mas foi só o que aconteceu naquela tarde. Cada um foi para o seu lado, porém uns dois finais semanas depois se reencontraram novamente na livraria e dessa vez era ela quem tinha um livro nas mãos que chamou a atenção de Ângelo, “Para Nascer, Nasci”, de Pablo Neruda.
- Eu não estou assustada - foi o que ela disse quando ele terminou de contar o que tinha acontecido meses atrás e isso parece ter ascendido uma luz dentro dele.Pela primeira vez ele parecia vê-la de verdade e percebeu que tinha perto de si uma belíssima mulher.A ultima lembrança de luto que Ângelo teve daquela que partiu foi quando saiu com a moça pela primeira vez e foram a um bar que tocava musica ao vivo, a frase que ele pensou foi: “ a nossa música nunca mais tocou”.
Momentos depois ela virou para ele e disse- Eu vou curar seu coração- e curou, sem saber ela engravidou dele naquela mesma noite, demorou dois meses para descobrir e quando contou para Ângelo, viu pela primeira vez diante de seus olhos um homem chorando.
Ophelia me apareceu hoje, surgiu assim de repente bem na hora de meu almoço, não me surpreendi porque seu cheiro senti ainda dentro do carro. Quando abri a porta pra descer e entrar no restaurante lá estava ela, sorrindo, usando vestido azul e brincos grandes de madrepérola.Esqueci de almoçar e comecei a segui-la.
Ela caminha como se não quisesse desperdiçar nenhum gesto, dentro da moldura de meus olhos essa mulher é como uma pintura que ganha movimentos, quando nossos olhares se cruzam sinto absoluto o dom de existir, sua serenidade na superfície esconde a correnteza de seu interior.Ophelia parece que nada no tempo, entre os espaços dos espaços, eu sei que ela pode ser uma alucinação, um espectro criado no seio da minha imaginação, mas ela me acalma, me fascina, me envolve em sua existência que só eu posso perceber.É como uma orquídea que está crescendo no tronco da árvore que fica bem no centro do meu jardim.E eu quero ser o único beija-flor a beijá-la.
Ophelia ainda não me disse nada com a boca, mas fala sem parar através de seu corpo, de suas mãos que parecem estar regendo uma sinfonia, de seus pequenos pés que estão sempre apoiados em suas pontas, porque seus passos são como de bailarina, suas pernas de tão brancas, brilham. Descobri que em suas costas há um espelho e que em seu pescoço jaz uma marca de nascença.
Ela sumiu ao dobrar uma esquina, mas deixou para trás seu perfume inconfundível. Apesar de sua suavidade Ophelia não é um fruto verde, um dia ela foi uma menina rebelde, agora é uma mulher madura.
Ophelia nasceu de uma nuvem que passava sobre minha cabeça e que misteriosamente deixou cair uma gota como se fosse uma lágrima solitária.Ao tocar minha face essa água mágica fez que imediatamente meus olhos avistassem vindo do meio da neblina uma mulher misteriosa.Longos cabelos adornados por flores, os passos suaves como se não tocassem o chão.Na primeira vez ela sorriu pra mim e sumiu se escondendo no meio das brumas.E depois só apareceu de vez em quando, sorrindo, sua aparição é sempre precedida por um forte perfume.Ela é como um fantasma que me acompanha em todos os lugares.Habita meus sonhos, os de olhos abertos e também dos fechados. Ophelia é uma princesa que escapou da torre onde era mantida presa.Em seu reino não havia mentira nem dor,mas ela queria estar entre os humanos mentirosos e sofredores. Queria sentir a brisa, ver o sol. Assim, foge de seu reino e experimenta o mundo, conhece a dor e a morte. Porém o rei, seu pai, sem saber acaba lhe levando o mal. Contrata uma fada,mas que na verdade era uma terrível feiticeira, para encontrá-la.E essa implacavelmente a persegue por todos os lugares, além de capturá-la e ganhar uma recompensa de seu peso em ouro ela quer roubar de Ophelia seu dom mais precioso.A princesa é dona do cheiro mais gostoso do mundo, sua pele exala um perfume que pode ser sentido em qualquer lugar do planeta, mas que só é captado por quem ela quer. Enquanto voltava pra casa e dirigia pela estrada que beira um penhasco, fiquei admirando o mar noturno, as ondas brancas ao longe lhe ponteando e a ilha bela ao fundo fazendo moldura.E com esse quadro pintado em minha paisagem intima tive uma visão. Ophelia caminhando por entre as pessoas perdida, arrependida de ter vindo a esse mundo onde há um pouco de tudo. De luz e de sombra, de dor e prazer, de som e de fúria.Distraída ela segue por entre os carros e os edifícios, continua a viver, me procura, mas não encontra.A princesa vulnerável usa seu poder, lança seu cheiro e seu perfume inundando o ar.E aquela nuvem levando sua essência atravessa a dimensão entre o sonho e a realidade me encontrando deitado na cama.Ela surge então saída de dentro da parede do quarto carregando nas mãos uma balança.Em seus pratos de um lado está meu cérebro e do outro meu coração.
Ao escrever as mãos falam como se fossem uma boca sem lábios, eu posso fazer chover com meus dedos, mas não posso gritar através deles.A lamina da palavra corta, mas quão afiada são suas pontas? O vento parece conseguir ler meus pensamentos. Se meu arbítrio é livre não posso mais reclamar de minhas escolhas,pois fui eu quem as consumei.
Existir e esquecer da própria existência, tornar-se visível não pelos olhos, mas pelo cheiro, pelo odor de sua alma,uma pássaro pousou em meu ombro, um anjo que só eu vejo e ele canta ao amanhecer.A verdade dói, mas a mentira mata. Por isso ao invés de caçar nuvens me apego a um texto de Clarice, a escritora sublime de sobrenome Lispector, e extraio essência: “Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada.”
O odor exalado por essa rosa do jardim de Clarice não é bom nem mau, não é perfume, mas também não é mau cheiro, é somente a fuga de uma prisão chamada umbigo. E segue ela cortando com sua espada afiada: “Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição.”
O corte bem feito não sangra,divide a pele e expõe o que tem por baixo dela oculto, não me escondo, mas também não me iludo, sigo Clarice amolando sua lâmina em minha cabeça, não estou festejando, mas também não visto mais uma mortalha de luto: “Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido.”
Deverá estar se perguntando o meu amor: porque meu amado escreve sobre um tema do passado? E respondo de pronto: a vida pode ser mais criativa que a arte. Por isso com sua caneta mais afiada que a espada , Lispector finalmente corta a cabeça do dragão: “Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... o de mais nada fazer.”
Não basta caminhar é preciso ser responsável pelas pegadas deixadas. Christoph Rehage foi estudar cinema em Pequim(conhecida como Beijing no resto do mundo) e cumprir algo que tinha pensando quatro anos antes quando estava caminhando em Paris.Ir de Pequim a Hanover na Alemanha, sua terra natal, a pé.
Parece uma loucura e é mesmo, mas é dessas loucuras saudáveis que algumas pessoas significam suas vidas, que aprendem algo sentindo na pele e que depois através de relatos, fotos e imagens transmitem aos outros humanos sua experiência.
“Eu quis seguir um caminho que me tirasse do descanso do mundo...e deixei a barba e cabelo crescer....você pode ver minha satisfação vendo o olhar frenético em meus olhos.” “Andar não é liberdade - você não está livre no deserto quando você se está empurrando dia após o dia.”Eu não poderia ir a todos os lugares do mundo que sonho, mas estarei de alguma forma indo, pelos passos de uma outra pessoa.
No início da viagem, Rehage resolveu tirar uma foto por dia, mas decidiu logo que queria houvesse pessoas dos povos de onde passava ao fundo e em algum movimento. Quatro meses foram necessários para editar o vídeo cuidadosamente alinhando o nível de olho das 1.500 fotos que tinha tirado.Usou Google Earth e o conhecimento local das pessoas que encontrou para planear a jornada.
Durante esse seu caminho encontrou alguém extraordinário. Em seu blogue ele conta quando conheceu um homem perto de Zhangye chamado professor Xie. O professor Xie arrasta um carro de madeira com seus pertences e tem andado através da China por 24 anos. Rehage fala com grande carinho sobre esse homem que tem um gosto pela filosofia alemã “É o mestre da caminhada verdadeiro,” diz Rehage, que durante sua jornada estudou a cultura chinesa que lhe deixou claramente com sensibilidades asiáticas - modéstia, calma, paz interna e um respeito com a natureza.
Entre percalços com vistos e problemas pessoais, Christoph precisou ir e voltar à Alemanha algumas vezes. Mas, no total, passou cerca de 1 ano andando, entre 9 de novembro de 2007 e 13 de novembro do ano passado.Já percorreu mais de 4 mil quilômetros pela China e segue no projeto. Em seu site, Christoph diz que sua grande viagem não foi pensada para provar qualquer coisa a alguém.Ainda falta muito pra chegar a Alemanha, porém os passos de uma caminhada são a expressão mais sublime de um caminhante.
Assim é o meu caminho, portas que se fecham, janelas que se abrem, rios que correm mansos em sua superfície, mas com correnteza forte em seu interior.As etapas que não atravessei ou pulei, mas percorri inteiras, os ciclos que se acabam e os novos horizontes que se descortinam.Não sei o que me espera na próxima curva, mas caminho assim mesmo em sua direção.
Não saberia viver se não fosse dessa forma, da minha maneira, de com o experimento o mundo, existo aqui, tenho o meu lugar, a minha importância, e procuro representar a minha existência da forma mais plena possível.Descobri o que me faz feliz e para minha sorte são coisas simples e que não são tão complicadas de se conseguir.
Assim é a minha estrada repleta de trevos, desvios e encruzilhadas, ao optar por uma das trilhas tenho que apagar da minha mente a outra que não escolhi, acredito num destino final, a morte, inevitável, compromisso inadiável, dia e hora marcada, mesmo não podendo evitá-la, posso escolher como vou viver até aquele momento.
E o meu caminho sendo um eu sou dois. Do lado direito sou aventureiro, sensível, intuitivo, lá minha consciência se eleva pelos sentimentos, ele está sempre presente, mas se perde no tempo e em suas divagações.O lado direito honra a minha vida.Do lado esquerdo sou comedido, tímido, controlado, eu fico calculando, criando os limites e analisando as possibilidades.Eu o uso para me comunicar, para transmitir, para expressar minha identidade. O lado esquerdo preserva minha existência. O lado direito quer que eu permaneça poeta, o esquerdo que eu me torne uma pessoa comum.
Por isso toda vez que abro os portões dos jardins da minha mente minha pele desaparece.
"Uma vida sem reflexão não merece ser vivida".(Socrates)
Em que neurônio terá nascido esse meu pensamento? Essas palavras são um veiculo extracorpóreo de mim, pois sou uma criatura sensível que pensa. E meus pensamentos ás vezes ficam lá rodando no automático. Por isso preciso urgentemente administrar com mais cuidado o que acontece no interior da minha cabeça. É a minha vulnerabilidade maior.
O lado direito do meu cérebro fica falando assim pro esquerdo, “Isso é o melhor que você pode fazer?”, o hemisfério direito quer dominar, não quer repartir o território do meu pensamento.Mas os arquivos da minha memória não podem ser manipulados por nenhum dos dois.Afinal em que parte da minhas lembranças eu terei me perdido?Estou no comando de como escolho perceber minha experiência de vida? Não sei.
Ás vezes sofro, me sentindo sólido, separado do resto, então preciso verbalizar, liquifazer o meu ser, decompor as paredes e iluminar o interior.Os dois lados da minha mente não deveriam lutar um contra o outro, deveriam colaborar.Mas a minha personalidade do hemisfério direito é a parte incontrolável, potencialmente violenta, imbecil, desprezível e ignorante, que sequer é consciente de sua própria existência.A personalidade hemisfério esquerdo é lingüística, racional, sagaz, e é o assento da minha consciência.
A cabeça (hemisfério esquerdo) fica dizendo uma coisa, enquanto o coração (hemisfério direito) fala exatamento o oposto. É a mente sensorial (hemisfério esquerdo) contra a mente intuitiva (hemisfério direito), é a mente julgadora (hemisfério esquerdo) contra a mente perceptiva (hemisfério direito).Elas estão lutando o tempo todo uma contra a outra.
Hoje é o dia em que nos encontraremos, o meu caminho vai cruzar o dela, juntos por aqueles momentos vamos compartilhar o mesmo tempo, o mesmo lugar no universo. Encontrar alguém é um encontro consigo também, porque paramos de nos preocupar em sobreviver e passamos a prestar atenção na gente querendo que o outro nos saiba, perceba e sinta. Um encontro é um maravilhoso exercício do verbo ser.
Eu que enquanto ser humano descrevo trajetória, hoje terei uma intersecção no meu caminho, meu rumo se deparando com o dela, essa minha necessidade de transformar experiência em símbolos e em significados torna todo acontecimento digno de registro, de história.Afinal do que adiantaria viver se tudo passasse e nada deixasse memória?
“Quero olhar nos seus olhos e ouvir porque você resolveu meprocurar.” Um encontro é à hora da verdade, até mesmo os mais insinceros tremem diante dele, porque os olhos sempre foram melhores juízes do que os ouvidos. Para os mais sensíveis a gente diz muito mais com um olhar do que com a boca.
Então ela sendo ela e eu sendo eu vamos conversar sobre todas as coisas, sobre o cheiro do mar de manhã, sobre o inverno frio de São Paulo, sobre o perfume da dama da noite, sobre a crise econômica ou a epidemia de gripe. Essa noite estaremos cultuando o estado de estar e ser presente, para si e para o outro.
Um encontro, um coincidir, uma convivência, nos momentos que antecedem o acontecimento confesso que um leve arrepio frio me percorre a barriga denunciando que estou ansioso, talvez até nervoso, mas feliz e estar feliz supera qualquer outro estado emocional.
Por estes dias estive pensando em qual é a função do que pensamos ser o "mal" no universo. Como seres humanos para entendermos melhor qualquer conceito seja ele de bem ou de mal precisamos humanizá-los, assim chamamos o bem de Deus e o mal de Diabo (só para citar um exemplo de nome que criamos para o “coisa ruim”).
Sendo o mal encarnado pelo Diabo compreendi que ele conhece as fraquezas da natureza humana e as explora para nos tirar do caminho da luz.Explora as portas que deixamos abertas e usa seu poder para desistirmos de lutar.Tem a favor de si duas armas poderosas, o complexo inferioridade e a dúvida. O complexo de inferioridade é da natureza humana geral, cada um tem, teve ou terá em maior ou menor grau, sua origem está na nossa necessidade de nos sentirmos aceitos pelos outros. Assim nos transformamos naquilo que imaginamos que os outros desejariam que fôssemos. Ou seja, damos ao outro o poder de decidir sobre nossa própria imagem, idéias, nossas necessidades, e inconscientemente renunciamos a nossa capacidade natural de conduzir a própria vida, exatamente por nós avaliarmos incapazes.
E tanto o Demo como qualquer ser humano que perceba essa nossa fraqueza irá explorá-la ao seu favor. Para manipular, induzir e até mesmo escravizar uma alma. Há vampiros soltos por ai e eles não sugam sangue, mas a nossa energia vital. E eles nem sabem o que fazem. Ser vulnerável também é da natureza humana.
A dúvida se instala em nosso pensamento quando não temos certeza a respeito de nossas escolhas, quando não temos segurança naquilo que estamos decidindo, porque uma opção mal feita pode trazer sérias conseqüências na vida da gente, escolher algo significa abandonar algo também, e o tempo nunca corre pra trás, certas alternativas escolhidas não permitem volta.
Esteja o bem e o mal dentro ou externamente da gente, a dúvida e o complexo de inferioridade são dois inimigos que devem ser combatidos, e a única maneira de combater o inimigo é reconhecendo e identificando as nossas fraquezas.
“Eu vim de infinitos caminhos, e os meus sonhos choveram lúcido pranto pelo chão. Quando é que frutifica,nos caminhos infinitos, essa vida,que era tão viva, tão fecunda,porque vinha de um coração? E os que vierem depois, pelos caminhos infinitos, do pranto que caiu dos meus olhos passados, que experiência, ou consolo, ou prêmio alcançarão?”(Herança – Cecília Meireles)
O que eu escolhi e não deu certo se desmanchou, foi desaparecendo lentamente até terminar como tudo um dia pode se acabar, tornou-se escombro. Mas ao forte sempre cabe a ascensão, por isso onde ontem eram ruínas amanhã edificarei uma nova civilização.
E ao erigir minha nova cidade ainda que tudo se pareça diferente e novo, meu ponto de partida não será tão branco e inexperiente como é um ovo, a gente não começa de onde parou antes, mas continua com o que já passou e viveu.
Aprendemos errando e a cada lição, uma nova camada nos é acrescentada, a experiência pode nos adoçar ou nos amargar. Adoça-nos só se soubermos extrair um pouco de mel mesmo das experiências mais doloridas. E nos amarga se acreditarmos que não devemos mais acreditar no que virá.
Nada fica intacto, o outro sempre será uma terra estrangeira, e para explorá-la é necessário o risco, o passaporte é a ousadia de saber que parte de nós será mesmo triturada e se tornará cascalho, entulho, escombro, ruína. E que sejam eles feitos de areia ou de cimento, nossos castelos sempre vão cair, por mais sólida que seja nossa relação, suas muralhas vão ser derrubadas pelas balas de canhão que é o verbo amar, transitivo para os efêmeros , intransitivo para o sensíveis.
“Quantas estradas precisará um homem andar antes que possam chamá-lo de um homem?.. Quantas vezes precisará um homem olhar para cima até poder ver o céu?”( Blowing in the Wind, trecho da canção de Bob Dylan)
Tenho uma coisa a dizer, quero eliminar o medo, assim acaba a angústia, farei isso lá no espaço que existe entre as sinapses, apagar as más lembranças do passado e desistir das vãs esperanças no futuro, em algum momento conseguir deixar o pensamento como se fosse água pura, insípido, inodoro e incolor. Quero continuar sendo doce sem ser melado.Escrevo no mesmo ritmo da respiração, porque se ao invés de escrever as palavras eu pudesse soprá-las assim eu faria.
Com o tempo a gente perdoa, não porque é bobo ou é mole, mas porque guardar magoa ou acumular ressentimento pode provocar doença ruim. Há o que depende e o que não depende de mim, ao separar essas duas substancias de destino, tenho reencontrado a paz.
Digo sempre ao meu respeito que aprendi com o tempo a me proteger com uma concha, mas andei mudando de estado físico e de espírito, hoje tenho camadas, uma sobre a outra se sobrepondo e resguardando o meu tesouro. Não sei quantas são, sei que uma é feita daquilo que leio e falo, outra daquilo que já vivi e mais uma das idéias que os outros fazem ao meu respeito, e que uma a uma vão se depositando sobre mim.
E fico assim parecendo uma coisa e sendo outra, não só eu, na verdade com todo mundo isso acontece, ninguém nos conhece totalmente, por isso tenho me esforçado muito para usar menos a primeira pessoa do verbo ser quando sou.
Como se meu personagem ganhasse vida, homem, duro, mas terno, aliás terno escuro ele usa num dia de chuva, cruza, passa por ela, que bela, moça miúda, mulher querida, mãe de uma filha.Ele caminha, ela sozinha, ambos, encontro, naquele país não tem neve, mas o inverno lá fora é espacial.Sopra leve, pega o silencio pelas mãos e transforma em palavra especial, ele criação, ela realidade, figurado destino, sorriso de menino, ela borda uma toalha de liberdade.Porque já tem vida, não precisou ser criada, embora tenha nó na garganta, e ele faz vento, porque sua vida não é reta, por trás daquela armadura ele é poeta.Ela por sua vez é mãe, porque seu parto é uma porta, uma parte, uma filha , dádiva, presente, água corrente, nunca mais vai poder fingir que foge.Não há fuga, só há presença, dedicação, semeadura, caminhada.
Para ele a resposta está soprando no vento, tinha culpa, muita culpa, precisou ser lavado, levado, passar pelo deserto, provar na própria carne, remido pelo mar, pelo menos assim ele tem uma certeza, seu rio não é profundo, mas é largo, o rio de quase todo mundo é profundo, mas o dele não é, o dele é raso e largo, se aqui na terra não pode ter o céu, na sua imaginação quer um lugar no Olimpo, não para ser um daqueles soberanos, mas para não ser limitado como os mortais, anda treinando no alto de pontes e parapeitos.
O que pensou ser uma tendência suicida sua na verdade é vontade de voar.
Um beijo ou um tapa, o corpo grávido do espírito, enquanto o sol não vem, de um ponto de luz para outro eu digo, deixei de passar fome, não me alimento mais pelo umbigo.
Uma flor ou uma bomba, o olhar é firme, mas a perna sempre fica bamba, enquanto o sol não vem, eu me estendo, me estico, me mostro, escrevo. De uma célula para outra transmito, há paz entre a mente e o corpo.
Eu existo. Existo porque sinto, porque penso, porque existo não só em mim, eu existo na mente e na memória das pessoas.Instintivamente, o cheiro, racionalmente os dentes.O que atrai e o que me repulsa.Existe um eu no outro.Enquanto o sol não vem, eu canto, de ser humano para o outro comunico, dias de glória virão.
Um muro ou uma asa, para proteção presença, para seduzir, olhar, em certo momento o rio da minha vida chegou a uma planície e a alagou, antes ele se parecia com um pântano, hoje ela é um lago, enquanto o sol não vem.
De um pensamento para o outro, voe o mais alto que você puder sem sair do seu lugar.
“Eu me lembro de uma menina que morava do outro lado da minha rua, olhos castanhos, cabelos castanhos,tudo de importante que acontecia comigo de certa forma tinha haver com ela,se ela sorria eu também sorria,se ela chorava eu também chorava."
(Kevin Arnold sobre Winnie Cooper da Serie Anos Incríveis)
Em 1994 eu tinha 20 anos.O tempo não serve só para medir a idade das pessoas ou das coisas, para situar os acontecimentos e mapear nossas memorias, o tempo é um caminho que enquanto vivos percorremos com a nossa existência.E o que importa não é quanto dele passou por nós, mas o quanto de nós passamos por ele.Foi nesse ano que eu começei a assistir a serie "Anos Incriveis", Kevin, o protagonista da história, tinha 12 anos, assim como todos os outros personagens.Mas o que eles passavam com aquela idade era como um eco do que vivi e o que ainda viveria.
A historia contava o cotidiano de crianças que foram descobrindo o mundo numa época que o mundo mudava tão rápido quanto eles mudavam, os personagens principais eram Paul, o melhor amigo de Kevin e Winnie, seu grande amor. E o que ficou daquelas imagens hoje alimenta a minha esperança de que apesar do mundo ter se deteriorado muito, as pessoas dentro delas ainda acreditam em si mesmas e confiam que é possível ser feliz.
Kevin e Winnie protagonizaram a história de amor que eu sempre sonhei pra mim, as pessoas que me leem sabem que como Kevin narrava sua própria história eu narro a minha e uso certas lendas e artifícios, porque o meu dom é sonhar, a vida não teria graça se eu não a colorisse com meus sonhos.E assim como Kevin misturava sonho e realidade em suas memórias, como ele dizia: "…talvez não seja exatamente assim que aconteceu, mas é assim que deveria ter acontecido e é assim que eu gosto de me lembrar. E se os sonhos e as recordações as vezes se misturam, é assim mesmo que deve ser, porque todos os garotos merecem ser heróis. Na verdade eles já são!".Assim como Kevin encontrou Winnie, eu da minha maneira encontrei aPrincesa de Andrômeda, mas ela me escapou por entre meus dedos.Uma feiticeira usou um encanto poderoso e me cegou os olhos e quase destruiu meu coração.Peço a Deus que eu tenha a capacidade de reconquistá-la.
No ultimo capitulo da serie descobrimos o destino daquele amor entre Kevin e Winnie, eles têm seu último dia de paixão juntos antes de seguirem caminhos separados para sempre. Winnie vai à Europa para estudar história da arte, enquanto Kevin permanece nos Estados Unidos, casa-se e tem um filho. Eles mantêm correspondência por cartas durante oito anos. O pai de Kevin morre de ataque cardíaco dois anos depois e Wayne, seu irmão, assume o negócio familiar de mobília. Os destinos de muitos personagens são resolvidos enquanto o narrador (Kevin adulto) nos diz: Crescer é algo muito rápido. Um dia você usa fraldas e no outro você vai embora. Mas as memórias da infância permanecem com você. Lembro-me de um lugar, uma cidade, uma casa como várias outras casas, um quintal como vários outros quintais, em uma rua como várias outras ruas. E o fato é que, após todos estes anos, eu ainda olho para trás: foram anos incríveis.
Sou muito parecido com Kevin, talvez se a serie "Anos incríveis" tivesse continuidade eu poderia seguir interpretando o papel dele, mas com algumas adaptações , porque aPrincesa de Andrômeda é quem tem uma filha e eu agora estou livre daquele terrível encantamento.
Eu não a conheci desde o começo da minha história, Winnie e Kevin são apenas uma imaginação de um roteirista talentoso, mas os meus anos incríveis são escritos pelo meu caminhar, e declaro que não haverá sombras porque a luz do meu amor não permitirá.
Ao descobrir que o seu maior desafio seriam as relações humanas aquele homem passou a pensar muito sobre o assunto. O exercício da autocrítica ensinado por seu pai passou a fazer parte do seu universo interno insistentemente. O seu conceito de amor já não o estava fazendo bem, algo teria que ser mudado.
A sensibilidade é a sabedoria do coração, assim como o conhecimento é a inteligência do pensamento, e agora aquele homem precisava encontrar um ponto de equilíbrio entre esses dois rios que correm dentro dele. A razão em demasia pode tornar as pessoas egoístas e a emoção exagerada deixa-nos frágeis e carentes demais. O desafio agora era usar a razão onde ela deva ser usada(resolver problemas, planejar a vida e fazer as escolhas conscientes e sem impulso) e permitir que o coração tenha sua voz sempre ativa.
A sensibilidade daquele homem havia deixado seu coração exposto, a sua forma de amar o deixava dependente emocionalmente do amor. Embora ele soubesse através de sua razão que ninguém completa ninguém, tinha pavor de ficar sozinho. Não sozinho fisicamente, mas com o coração vazio, sem ninguém para amar e alguém para amá-lo.
Aquele homem como projeto de ser humano poderia sucumbir assim dessa maneira, então precisava tomar um novo rumo. O primeiro passo seria liberar o perdão a si mesmo e que sua individualidade não avançasse sobre o calor de seu afeto. Perdoar a si mesmo é reconhecer seus erros e acreditar na capacidade de corrigi-los. A individualidade não é um instrumento do egoísmo, ela deve ser a nossa aptidão para vivermos sozinhos, de cuidar do nosso corpo e alma dignamente. E tudo isso aliado ao reconhecimento que o outro não pode ser submetido, dominado e obrigado a fazer e a ser como queremos.
Aquele homem estava descobrindo uma nova maneira de amar, sem diminuir o calor e a poesia desse seu ato mais sublime, seu grau de franqueza consigo mesmo ao ser transportado pra cá dá uma medida disso. Afinal ele não é automático, precisa estar reciclando o tempo todo para manter o frescor de sua alma.
Agora ele precisava derrubar as velhas pontes e construir novas, para que as relações afetivas futuras, e até mesmo as antigas, assumam um novo significado em seu caminho. A frase do psicoterapeuta Flavio Gikovate agora era como uma onda se atirando contra os pilares de seu cais “Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.”
Embora ele tenha sido sempre muito compreensivo, é muito critico, talvez isso tenha sido um dos pontos de atrito que desgastaram os amores tão bonitos que surgiram em sua vida, e aquele homem tem buscado desesperadamente paz de espírito e não tem a encontrado. Não é fácil ser ele porque como está acordando e não dormindo como a maioria das pessoas está sujeito a errar muito mais do que eles que repousam nos braços de Morpheu.
Eu tinha três caminhos a seguir, o primeiro era acreditar nas palavras do que as pessoas me diziam, nos conselhos, nas idéias, nas soluções que elas acreditavam ser adequadas a minha vida.O segundo era como a canção do Legião, provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém.E o terceiro era só acreditar naquilo que sou capaz de escolher por mim mesmo. (Existem amores por aí que se movimentam como o amor, que sorriem, dançam e se oferecem como se fossem amor.)O primeiro caminho nos aproxima das pessoas, o segundo e o terceiro nos afasta.(Tem amores com os mesmos sabores que o amor, cheiram, suam, e falam como se fossem amor). O primeiro caminho nos exige escutar, ser menos teimosos, acreditar no que as pessoas nos dizem e que elas são confiáveis para compartilhar conosco nossos segredos, que elas não vão usar as nossas dúvidas e as nossas mazelas para se sentirem compensadas com as próprias desgraças.Há um processo inconsciente nos seres humanos que embora pareça cruel, não é.Usamos os problemas dos outros para justificar os nossos e assim nos sentirmos melhores.(Aquele amor faz juras como se fosse mesmo um amor) O segundo caminho, provar pra todo mundo que não precisa provar nada pra ninguém, é a estrada do orgulho, é quando queremos mostrar ao mundo nossa importância, tem seu lado bom porque fortalece nossa autoestima e autoconfiança.Mas tem o lado ruim , a soberba reinando dentro da nossa barriga como se fosse um rei.(Um amor tão parecido com amor, tinha o mesmo gosto, inspirava os mesmos pactos, me fazia sonhar, acreditar como se fosse mesmo um amor) O terceiro caminho, que é aquele que nos leva a só acreditar naquilo que somos capazes de escolher por nós mesmos, é o caminho da convicção, da certeza, da intuição, uma voz nos diz, a nossa voz interior, e nós escutamos e executamos de acordo com aquilo que acreditamos.Escolhi esse caminho pra seguir(Era um amor igualzinho ao amor, brilhava como se fosse mesmo um amor, mas no fim era só uma imitação de amor, não era amor de verdade).
As mudanças que acontecem na nossa vida na maioria das vezes ocorrem de repente e a mais radical transformação pela qual passamos é a de vivo para morto, num dia estamos lá vivinhos da Silva noutro podemos bater as botas sem o menor aviso pegando todo mundo de surpresa, inclusive nós mesmos que não queríamos ter morrido num domingo, ou enquanto íamos para o trabalho ou antes dos 15 anos de nossa filha ou das infinitas maneiras que podemos morrer. Ninguém quer ser mortal, mas somos e passamos a maior parte do tempo ignorando isso porque se você pensar a toda hora não vive, fica dominado pelo medo e essa paralisia atinge até a alma. O medo de morrer pode anular e arruinar uma existência inteira.
E quando menos esperamos está lá, a oportunidade, a chance passando bem na nossa frente, com a boca escancarada e cheia de dentes. A nossa coragem é testada, o desafio tira o chão dos nossos pés e nos atira no ar: “Voe, se não tiver asas, crie”. Não adianta dizer para aquela chance “ainda não estou pronto” ela não espera, se vai e nunca mais olha para trás.
Uma mudança, quando consciente, não é algo que você faz, é algo que você permite.E é tão difícil mudar porque fugir ou fingir é muito mais fácil que mudar.